A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/05/2020
É notório que, devido a crescente concentração populacional, as crises relacionadas à mobilidade urbana ganharam mais repercussão. Sabe-se que, o Brasil é um país que utiliza, majoritariamente, transportes rodoviários, ou seja, tanto as cidades quanto as metrópoles são adaptadas para ter como prioridade este tipo de locomoção. Dito isso, fica clarividente que os governantes não mais estão atendendo as necessidades das pessoas no que diz respeito à mobilidade urbana, mas sim a de máquinas. Desta forma, o mal planejamento das áreas de maior ocupação implica, dentre outros fatores, em congestionamentos hodiernos e na diminuição da qualidade de vida.
Primeiramente, é indubitável que em muitas metrópoles há uma circulação maior de veículos particulares ao invés dos transportes coletivos, pois estes não atendem às necessidades sociais de bem-estar. Com isso, o trânsito caótico agrava-se e causa insatisfação, irritabilidade e transtornos em trabalhadores, motoristas e passageiros. Ademais, com o elevado grau de áreas urbanas, além do grande nível de poluição gerado pelos automóveis, em determinadas regiões brasileiras surgem as ilhas de calor, um fenômeno climático que origina uma sensação desagradável devido ao aumento da temperatura local, como é o caso de São Paulo.
Outrossim, de acordo com o economista, urbanista e ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, o projeto inicial das metrópoles e cidades deveriam ser baseadas nos diversos meios alternativos de locomoção para evitar crises de mobilidade urbana. Nessa perspectiva, se a princípio houvesse um planejamento visando as pessoas se deslocando de diferentes formas, o bem-estar social seria atingido e, tanto a concentração populacional quanto as crises no trânsito não seriam um grande problema, ao invés disso, seriam regiões funcionais e organizadas, provavelmente um cenário inusitado.
Dados os argumentos acima, evidencia-se, portanto, que para frear a crescente crise na mobilidade urbana brasileira é imprescindível que haja planejamento em longo prazo. Sendo assim, torna-se de extrema importância que os governadores dos estados busquem melhorar os coletivos atuais e aderir os meios alternativos de transportes, como bicicletas e patinetes, também alargar as vias por onde estes e os pedestres irão circular, para que dessa forma haja diminuição dos engarrafamentos e, consequentemente, acidentes, o fluxo de pessoas e mercadorias sejam mais rápidos, menos poluentes e mais seguros. Por fim, mas não menos importante, instituições de ensino promovam palestras e seminários à comunidade, buscando conservar os meios públicos, manter a qualidade dos transportes e também incentivar a luta por melhorias nos mesmos. Com isso, os impactos atuais serão minimizados e não afetarão ,a longo prazo, a qualidade de vida das gerações futuras.