A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/05/2020
Desde a Revolução Industrial, no século XVIII, houve crescente inchaço populacional e adensamento de serviços nas cidades. Tal fato, associado com uma falta de planejamento habitacional efetivo e, principalmente, um projeto para o transporte urbano eficiente e sustentável de pessoas, gerou alarmantes problemas para a mobilidade nas cidades brasileiras. Consequentemente, isto resultou em um declínio na qualidade de vida e aumento de problemas ambientais e socioculturais.
Inicialmente, destaca-se que, segundo o filósofo grego Aristóteles, o homem é um animal político e social. Nesse contexto, a cidade — espaço onde se dão as interações comunitárias, e a cidadania (efetiva participação no convívio social) são indissociáveis. Entretanto, as progressivas dificuldades atuais para se locomover no meio urbano representam um óbice ao pleno exercício da cidadania. Isto se dá pois os serviços públicos — como escolas, creches e hospitais, assim como os espaços de atividades culturais (museus, teatros, cinemas, etc) estão concentrados nos centros dos municípios e distantes do acesso de moradores de áreas periféricas, gerando, assim, segregação sociocultural dessa população.
Além disso, é relevante ressaltar que, desde a década de 1950, com ascensão da indústria mobilística, impulsionada pelo Plano de Metas da gestão de Juscelino Kubitschek, houve uma explosão no número de carros no Brasil. Desse modo, o modelo atual de deslocamento de pessoas privilegia os veículos individuais em detrimento do transporte coletivo na medida em que a atual estrutura de ônibus e metrôs não oferecem um serviço barato e confortável. Tal padrão de condução acarreta em aumento da emissão de gases poluidores, da poluição sonora, do estresse e da perda de produção, devido ao grande tempo desperdiçado nos congestionamentos.
Por fim, como solução para os problemas elencados, as prefeituras — órgão responsável pelo transporte urbano, devem, por meio de uma reformulação do Plano Diretor (legislação correspondente ao planejamento das cidades), priorizar os investimentos na infraestrutura de transporte coletivos, como metrôs e ônibus, reduzindo as tarifas e aumentando o número de linhas disponíveis, assim como integrar os transportes alternativos, como bicicletas, por meio de ciclofaixas. Tais ações tem como objetivo estimular as pessoas a reduzirem o uso de carros para o seu deslocamento diário. Ademas, como providência a longo prazo, deve-se planejar a habitação das cidades tendo em vista a desaglomeração dos serviços nos centros das cidades, ofertando serviços e comodidades à população periférica, diminuindo assim a necessidade de deslocamento para os grandes centros urbanos. Só assim será efetivado o exercício da cidadania e a melhora na qualidade de vida de todos.