A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/05/2020

Com o advento do processo de urbanização, surgiram graves mazelas sociais no Brasil, dentre elas uma tem se destacado no contexto hodierno: a dificuldade de se deslocar nos espaços urbanos. Tal cenário desafiador é potencializado, sobretudo, pela negligência governamental e pela influência midiática de incentivo ao consumo. Logo, medidas fazem-se necessárias, a fim de mitigar esse panorama adverso.

Cabe ressaltar, a princípio, a omissão do Poder Público como impasse significativo para o enfrentamento da crise de mobilidade urbana no Brasil. Isso porque poucos recursos são destinados pelo Governo ao aperfeiçoamento de transportes públicos, o que aumenta a procura por automóveis privativos. A esse respeito, o portal de notícias G1 divulgou dados que vão ao encontro desse pensamento. De acordo com a plataforma, mais de 60% dos brasileiros apresentam insatisfação com o transporte público. Desse modo, o Estado, ao investir de forma precária nos transportes de massa, contribui para o aumento do número de veículos nas vias urbanas, o que intensifica o congestionamento destas e dificulta a locomoção eficiente dos cidadãos.

Outrossim, a influência midiática configura-se como outro fator que compromete a superação da crise de mobilidade urbana no País. Sob essa óptica, o sociólogo Karl Marx defende a tese segundo a qual os indivíduos consomem produtos pelo valor subjetivo que eles agregam em suas vidas. Nessa perspectiva, a Mídia, ao veicular conteúdos de forma constante e persuasiva, com o objetivo de construir uma relação entre veículos pessoais e sentimentos positivos, como prazer, conforto e segurança, manipula o comportamento de parte considerável da população e incentiva o consumo destes, fato que corrobora o aumento do fluxo de transportes privativos nas vias urbanas. Dessa maneira, essa lamentável realidade exige um olhar mais atento da sociedade.

Portanto, urge que o Governo, por meio do redirecionamento de verbas públicas, previsto pela Lei Orçamentária Anual, destine mais recursos ao aperfeiçoamento do transporte coletivo, com o aumento da frota de veículos públicos e a construção de faixas exclusivas para o fluxo destes. Tal medida tem o objetivo de evitar a superlotação nesses espaços e agilizar o tempo de deslocamento para os que optam por esse meio de transporte. É essencial, ainda, que o Poder Público, por intermédio das grandes redes sociais, promova a discussão acerca da importância social de se utilizar os transportes de massa, a afim de promover a consciência coletiva e reduzir o número de carros privativos nas estradas. Espera-se, com isso, que a dificuldade de se deslocar de forma eficiente, assim como outros impactos negativos do processo de urbanização, sejam amenizados no contexto brasileiro.