A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 17/05/2020

Em muitos países desenvolvidos, como é o caso da Irlanda, o uso de veículos próprios é posto em segundo plano em detrimento da maior utilização de transporte público, o que favorece um trânsito saudável. No Brasil, entretanto, a questão da mobilidade urbana constitui uma nociva problemática da atualidade, por provocar, entre muitos fatores, uma péssima qualidade de deslocamento dos brasileiros. Sob esse aspecto, convém analisarmos as principais causa, consequências e possível medida dessa chaga citadina nacional.

Em primeira análise, verifica-se o aumento no número de veículos adquiridos como uma das principais razões deste triste panorama. Tal fato é observado a partir de dados obtidos entre 2002 e 2012 pelo Observatório de Metrópoles, em que é visto o aumento de 138% no número de automóveis enquanto o de indivíduos foi de 12%, devido, principalmente, pelo aumento da rédia média do brasileiro e o desuso de transportes públicos. Desse modo, nota-se um carácter nocivo do trânsito atual, devido os inúmeros problemas resultantes. Assim, urge que medidas sejam tomadas a fim de contornar esta triste realidade.

Além disso, é visto que a má mobilidade urbana pode acarretar sérias derivações. Dessa forma, o sociólogo alemão Georg Simmel, que viveu entre os séculos XIX e XX, afirma que a vida na cidade, por ser muito intensa e conturbada, favorece o surgimento de doenças de ordem psicossomática aos cidadãos e isto os leva a buscar a vida fora do ambiente citadino, conceito que ficou conhecido como “Intensificação da vida nervosa”. Diante disso, observa-se o crescimento de casos de estresse e outros problemas devido a péssima qualidade de deslocamento nas ruas e avenidas nacionais, assim como Simmel previu quase um século atrás.

A fim de contornar a problemática da péssima mobilidade urbana brasileira, o Governo Federal deve, portanto, investir nos transportes públicos do país, por meio da melhoria na qualidade de ônibus e construção de metrôs que passem em diversos pontos da cidade, com a finalidade de incentivar o uso desses meios pela população. Ademas, o Estado, em parceria com a mídia, deve promover campanhas onlines e em ambientes televisivos, por meio de anúncios e vídeos curtos, com profissionais de trânsito, a fim de esclarecer a população sobre a necessidade da utilização de veículos coletivos. Espera-se, com isso, contornar este triste cenário em que nos encontramos e adquirir uma qualidade citadina semelhante a alcançada pela Irlanda.