A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 18/05/2020
Em 2012, o Governo Federal sancionou a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PMNU), a qual visa a dotar os municípios de instrumentos para melhorar as condições de locomoção nas cidades brasileiras. Contudo, apesar desses esforços estatais, a mobilidade no Brasil, especialmente em cidades grandes, ainda se mostra substancialmente dificultada. Essa situação adversa se deve à histórica priorização governamental da malha rodoviária e à “cultura de propriedade do carro” presente na sociedade. Portanto, são necessárias medidas capazes de atenuar essas causas no País.
Nessa conjuntura, cabe salientar que a primazia de políticas públicas que valorizavam apenas o automóvel é diretamente responsável por essa crise na mobilidade urbana. A título de ilustração, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, foram intensificadas as construções de novas rodovias em detrimento da realização de investimentos em meios de locomoção coletivos, como trens e ônibus, o que contribuiu para a precarização da infraestrutura desses. Dessa maneira, muitos indivíduos, consequentemente, evitam usufruir desse precário transporte público e optam por utilizar, por exemplo, veículos privados ou táxis, o que propicia um maior congestionamento nas cidades. Destarte, faz-se essencial um replanejamento orçamentário que prestigie meios de deslocamento alternativos.
Outrossim, é evidente que a “cultura de posse do automóvel”, segundo a qual ter um carro é visto como símbolo de independência financeira, ocasiona inúmeros problemas à mobilidade urbana. Sob essa óptica, segundo uma pesquisa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, cerca de 70% dos brasileiros desejam adquirir um veículo particular nos próximos cinco anos, o que contribui para uma preocupante superlotação desses nas cidades. Devido a isso, ocorrem diariamente, em grandes centros urbanos, constantes casos de obstrução de vias e uma substancial redução da velocidade do fluxo de tráfego. Logo, esse alarmante quadro pede um maior protagonismo por parte de instituições formadoras de opinião para mitigar a presença dessa nociva cultura no âmbito social.
Diante disso, cabe aos Governos Estaduais, por intermédio de replanejamentos orçamentários, realizar mais investimentos nos setores de transporte público, com o fito de incrementar a infraestrutura de meios de locomoção como ônibus, metrôs e VLTs, para, assim, reduzir o histórico protagonismo de políticas públicas que priorizem a utilização do automóvel. Ademais, cabe às Universidades, enquanto instituições formadoras de opinião, realizar campanhas que abordem os benefícios da utilização de veículos de deslocamento alternativos, visando a minorar a influência da “cultura de propriedade do carro”. Assim, a mobilidade urbana no Brasil será mais eficiente, como pretendido pela PMNU.