A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 19/05/2020

No conto “Autoestrada do Sul”, de Júlio Cartazar, é retratado um engarrafamento que dura anos, devido a precariedade da mobilidade urbana. De maneira análoga, a realidade brasileira contemporânea nada difere do enredo ficcional citado, visto que houve um aumento populacional nas cidades sem a devida estrutura urbana, além da ausência de uma conscientização ambiental. Desse modo, a sociedade convive com diversos congestionamentos e impactos ambientais, o que torna necessário medidas interventivas urgentes.

Nessa perspectiva, pode-se ressaltar a década de 1960, a qual ocorreu o incentivo às indústria automobilística no Governo Juscelino Kubitschek e a consequente difusão da “cultura do carro”. Tal fato repercute ainda hodiernamente, pois foi associada à concentração populacional e à inconsistência dos serviços e estruturas públicas de transporte, o que resultou em um dos maiores desafios enfrentados no Brasil, a respeito da logística. Destarte, o deslocamento de pessoas e mercadorias implica grande quantidade de tempo e estresse, cujo desdobramentos afetam o desenvolvimento do país.

Por outro viés, a negligência existente em relação ao meio ambiente agrava ainda mais essa problemática. Isso se justifica, sobretudo, ao emprego de veículos movidos a combustíveis fósseis e geradores de gases nocivos à natureza, além da falta de investimentos em energias renováveis. Dessa forma, nota-se a quebra do “Contrato Social”, proposto pelo sociólogo Émile Durkheim, pois os órgãos governamentais não estão a cumprir sua função de informar e investir em um setor  tão fundamental.

Portanto, percebe-se que a mobilidade urbana apresenta ainda vários impasses e urge ações afirmativas. Para tanto, cabe ao Ministério dos Transportes investir tanto em transportes públicos coletivos como em estruturas urbanas, a exemplo de ônibus e rodovias, com o fito de disponibilizar um bom fluxo de pessoas e mercadorias. Outrossim, a mídia deve propagar a importância de preservar o meio ambiente, por meio de propagandas, a exemplo da “Antes que seja tarde”, a fim de que as pessoas optem por alternativas renováveis de locomoção. Por fim, com o empenho na realização de tais medidas, situações como em “Autoestrada do Sul” não serão mais realidade no Brasil.