A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 22/05/2020

Durante o governo de Juscelino Kubistcheck, o ramo automobilístico foi muito incentivado através de isenções fiscais às montadoras e na construção de rodovias. Entretanto, não imaginava-se que as cidades iriam crescer de forma desenfreada e desordenada, ou que haveria um carro por pessoa, provocando assim, uma crise na mobilidade urbana do país. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tais medidas.

A priori, destaca-se a baixa qualidade, pouca abrangência, lentidão e alto preço do transporte coletivo na maioria dos centros urbanos, contribuindo assim, para a insatisfação do consumidor e adesão ao carros particulares. Soma-se o fato de que há poucas ciclovias e ciclofaixas disponíveis, inviabilizando a locomoção de forma segura e eco sustentável de milhões de pessoas. Segundo o levantamento da Nossa São Paulo de 2018, apenas 1% de todos os deslocamentos foram feitos de bicicletas.

Ainda nessa pesquisa, foi constatado que somente 4% andam a pé. Tal fato é decorrente da ausência de acessibilidade, como o piso tátil e aviso sonoro nos semáforos para os deficientes visuais; calçadas estreitas e usualmente danificadas, e, por fim, o medo de andar nas ruas no período noturno, pós-trabalho, por falta de uma iluminação pública decente. Se esses itens fossem aprimorados, o número de mortes por acidentes iria diminuir consideravelemente, reduzindo custos no sistema de saúde e do DPVAT, além de promover a democratização das vias.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Para tanto, é necessário a atuação do Ministério da Infraestrutura juntamente com o Superministério do Desenvolvimento Regional para o construção de um Plano Nacional, o qual estimule estados e municípios na pluralidade dos modais de transporte, tais como: a melhoria de calçadas, através do alargamento e da acessibilidade; criação de bairros autossuficientes para evitar o crescimento desorganizado das cidades; ampliação de ciclovias e ciclofaixas, e,  estabelecer incentivos, similares aos de JK, mas destinado às empresas privadas de bicicletas e patinetes como as conhecidas “Yellow” e “Green”. Dessa forma, será possível não só solucionar o problema das grandes metrópoles, mas também tornar o ambiente mais seguro para todos.