A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 23/05/2020
O “plano de metas”, implantado por Juscelino Kubitschek, no ano de 1956, contribuiu para desenvolver a indústria automobilística no Brasil. Hodiernamente, tal pensamento se mostra amplamente favorecido em razão do crescente número de automóveis, dificultando a mobilidade urbana em várias ciades do país. A situação agrava-se com a falta de preparo dos transportes públicos, e com o precário sistema de locomobilidade alternativa, o que traz consequências deletérias para a população.
A crítica conjuntura dos transportes coletivos, a princípio, favoreceu o aumento da crise no sistema de mobilidade urbana do país. Nesse sentido, sob o enfoque social, a péssima qualidade desse serviço promove o acréscimo no número de carros pessoais no Brasil, visto que estes oferecem mais conforto e segurança aos passageiros, fato que acarreta grandes congestionamentos nos núcleos das cidades. Sob esse viés, ressalta-se a pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), na qual afirma que mais de 60% dos entrevistados avaliam como péssimas as condições dos transportes comunitários e preferem utilizar outras vias de locomoção, agravando o colapso no deslocamento dos indivíduos.
Ademais, a falta de políticas públicas de incentivo à mobilidade alternativa determina o atual cenário da entropia urbana. Nesse contexto, a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma que 14 a cada 100 municípios do país possuem sistema de ciclovia integrado à rede pública de transporte, o que é preocupante, pois a estratégia que poderia ser utilizada para diminuir o caótico fluxo automobilístico permanece inexplorada. Com isso, a insuficiente quantidade de ciclovias regulamentadas instala a sensação de medo naqueles que usufruem desse serviço, devido à alta incidência de acidentes de trânsito, em muitos casos, levando os ciclistas à quadros mais sérios de saúde.
Destarte, a desordem na mobilidade urbana nacional configura-se como um dos principais problemas da atualidade. Portanto, faz-se necessária a atuação do Ministério da Infraestrutura, por meio de maiores investimentos e avaliações semanais nos serviços de transporte coletivo, visando oferecer atendimento de qualidade e com eficácia à população, colaborando, dessa forma, para reduzir o fluxo de carros pessoais nas cidades. Outrossim, a inclusão dos projetos de cliclovias na malha de trasportes das cidades deve ser realizada, com o fito de propiciar segurança para quem recorre a esse serviço e elevar a sua importância para os indivíduos. Assim, será possível conter o colapso no sistema de transporte no Brasil, facilitando o deslocamento da população e reduzindo o número de incidentes no trânsito, seguindo, desse modo, o plano de Juscelino de maneira inteligente e segura.