A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/05/2020

A obra “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, foi escrita em um período no qual cria-se fortemente que o meio determinava o destino dos indivíduos e demonstra como problemas urbanos podem afetar a vida dos indivíduos. De semelhante modo, a crescente crise de mobilidade urbana, uma grave questão moderna, causada pelo mau planejamento das cidades e pela má qualidade dos transportes públicos, continua a determinar dificuldades na vida dos brasileiros.

Primeiramente, é preciso considerar como o mau planejamento urbano favorece a crise de mobilidade. O crescimento das cidades brasileiras seu deu, em geral, de maneira rápida e desordenada, sem contar com planos de longo prazo. Isso resultou na criação não só de cidades que favorecem o transporte individual em detrimento do coletivo e do pedestre, mas também de uma cultura que reforça esse cenário. Tal situação pode ser demonstrada por pesquisa do IBOPE na cidade de São Paulo, a qual mostro que, entre 2014 e 2015, quando foram feitas obras de infraestrutura em ciclovias, quase metade das pessoas que apoiavam esse modal deixaram de o fazer. Dessa forma, nota-se a necessidade de, além de permitir, estimular o uso de transportes alternativos.

Ademais, a má qualidade do transporte público também se mostra um empecilho para solucionar essa questão. Entre a superlotação, linhas insuficientes e veículos de má qualidade, são notórios os problemas dos modais coletivos em grande parte dos centros urbanos no país. Por outro lado, o advento dos aplicativos de carona, embora importante para democratizar o acesso ao transporte, permitiu a uma maior parcela da população trocar o transporte público pelo individual, agravando problemas como engarrafamentos. Por isso, é essencial que façam-se melhores investimentos nos meios coletivos, para incrementar sua qualidade sem que deixem de ser acessíveis.

Diante disso, percebe-se que é preciso intervir na raiz da crise de mobilidade. Para isso, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve, por meio de parcerias com estados e municípios, permitir investimentos em metrôs e na ampliação das linhas de ônibus, de modo a torná-las mais atrativas para a população. Além disso, a Secretaria de Comunicação deve criar campanha publicitária que estimule a população a usufruir dos transportes públicos, mostrando os benefícios a mobilidade e ao meio ambiente. Assim, será possível que a qualidade de vida do brasileiro não seja meramente determinada pelos problemas urbanos.