A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 25/05/2020

Com o processo de industrialização brasileira no século XX, o centro comercial e populacional se deslocou principalmente para a região Sudeste, causando uma superlotação desses estados. Sendo assim, um resquício dessa onda migratória é a crise na mobilidade urbana que persiste devido à morosidade e descompromisso estatal em melhorar a infraestrutura, gerando problemas de origem econômica e, sobretudo, de fundo social.

Nesse nicho, como fala o pensador e jurista contemporâneo Raúl Zaffaroni, o Governo possui parcela da culpa das mazelas que ocorrem envolvendo a nação. De maneira análoga, percebe-se que a manutenção de uma mobilidade problemática se dá pelo desinteresse do Estado em tratar do assunto, haja vista que, passado um século da industrialização do país, poucas medidas eficazes foram tomadas para organizar o fluxo de pessoas no centro urbano. Dessa forma, uma prova da situação é o trânsito caótico de São Paulo, no qual o cidadão passa acerca de três horas, segundo G1. Ainda assim, mesmo com o PIB na faixa do trilhões para investir na população, como informa o IBGE, são perceptíveis a falta de transporte público de qualidade e a quase inexistente pavimentação no cotidiano das cidades “menos importantes” aos olhos estatais.

Por conseguinte, a situação abordada dificulta a coesão social que, segundo Émile Durkheim, ocorre quando todos os setores da sociedade trabalham juntos e harmonicamente. Isso acontece, pois a pouca organização dos centros urbanos gera grandes prejuízos econômicos, uma vez que, além de afastar o turismo e o capital que envolve a atividade, em face à precariedade estrutural, promove perda lucrativa às empresas que têm suas cargas presas no trânsito. Outrossim, esse cenário cria uma sociedade do cansaço, a qual passa a maior parte do seu tempo no trajeto estressante da casa ao trabalho e possui pouca abertura ao lazer que é fundamental à saúde psíquica e fisiológica. Por consequência, esses cidadãos têm perda de produtividade e eficiência nos seus respectivos empregos e são mais propícios à doenças de caráter psicológico e derivadas da ansiedade.

Portanto, é imprescindível ressaltar que os Ministérios de Transporte e de Infraestrutura devem melhor organizar o fluxo de pessoas nas cidades, por meio da criação de ciclovias que abrangem não somente as áreas nobres, mas todo o centro urbano. Como também, por intermédio da maior fiscalização nas constantes pavimentações de ruas e na criação de mais largas calçadas. Desse mesmo modo, por meio do investimento na adesão de ônibus e outros transportes de qualidade e na certificação de que esses rondem todos os bairros, a fim de que o Brasil possa garantir a todos o direito de ir e vir e venha a promover uma infraestrutura de qualidade à população.