A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/05/2020

Na obra " A República", Platão demonstra uma alegoria de homens presos em uma caverna, os quais enxergavam as sombras dos elementos externos, ou seja, não possuíam uma visão objetiva dos fatos reais. Nesse sentido, é necessário analisar a crescente crise na mobilidade urbana brasileira, com o intuito de a sociedade atual não ecoar o mito da caverna de Platão no tecido social, sobre tal questão. Essa situação, desse modo, explicita a precariedade da infra-estrutura das cidades, além de reverberar a falta de cumprimento dos direitos constitucionais, referentes ao assunto em análise.

A princípio, a industrialização no Brasil aconteceu de forma acelerada, de modo que o processo de urbanização foi desordenado, fatos históricos, por exemplo, evidenciam que esse fenômeno se intensificou após 1950. Paralelo a isso, as cidades não possuíam uma infra-estrutura adequada para receber a grande quantidade de novos habitantes, ao passo que ocorreram os fenômenos de favelização, macrocefalia dos grandes centros, e, consequentemente, corroborou com a dificuldade do deslocamento do indivíduo no traçado urbano, na contemporaneidade. Dessa forma, observa-se que a própria estrutura das cidades brasileiras fomenta a crise de mobilidade urbana no Brasil.

Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no Enigma da Modernidade, elucidou que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Notadamente, pode-se realizar uma relação entre a Constituição Cidadã, a qual estabelece que todos possuem direito ao acesso a um sistema de transporte eficiente, e o cenário das grandes cidades, as quais expõem uma outra realidade, seja pelos constantes engarrafamentos no trânsito, seja pela precariedade do transporte público. Dessa forma, nota-se que a crise na mobilidade está associada, sobretudo, com a não consonância da situação real dos aglomerados urbanos frente aos dispositivos constitucionais.

Logo, é imprescindível que o Ministério da Cidadania realize palestras sobre o aumento da crise na mobilidade urbana brasileira, destinadas ao Poder Executivo. Para tanto, é fundamental convidar cientistas sociais que esclareçam, com a utilização de dados estatísticos e históricos, que o emblema está atrelado à construção das cidades brasileiras e à falta de cumprimento dos direitos constitucionais. Assim, essa esfera do poder, munida desse conhecimento, venha a desenvolver projetos de mobilidade urbana que visem a melhoria do transporte público e o incentivo à população, por meio de campanhas publicitárias, da utilização de bicicletas. Ademais, é importante incluir esses programas na Lei Orçamentária Anual, para possuir verbas para efetivarem essas ações interventivas. Feito isso, atenuar-se-á essa questão no seio social hodierno.