A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/05/2020

No Rock in Rio 2019, Pink disse ter gostado muito do Rio de Janeiro, mas reclamou do trânsito caótico que a fez levar bastante tempo para se deslocar na cidade. Assim como a cantora, muitos brasileiros enfrentam problemas de mobilidade urbana devido ao excesso de veículos nas ruas. Logo, a produtividade nas empresas é afetada por conta do estresse dos funcionários, decorrente de um precário sistema de transportes, e os automóveis liberam gases em abundância, o que gera poluição atmosférica nas metrópoles.

Visto que a urbanização no Brasil foi tardia, de forma acelerada e sem um planejamento adequado, as camadas mais pobres foram habitar as zonas periféricas das cidades, onde o custo de vida é menor. Com isso, esses indivíduos precisam fazer uso do transporte público para chegar nos grandes centros, áreas nas quais as oportunidades estão concentradas. Desse modo, os coletivos ficam abarrotados de passageiros, o percurso se torna cansativo e os funcionários já chegam em seu local de trabalho estressados, o que afeta diretamente na produtividade.

Além disso, aqueles que têm condições melhores preferem arcar com os gastos de um transporte individual. Conforme as pessoas compram mais carros, as vias públicas ficam cada vez mais lotadas e não conseguem dar vazão à quantidade de veículos, o que faz com que engarrafamentos sejam comuns. Ademais, os automóveis em excesso, geralmente sem filtro nos escapamentos, tornam o ar dos centros urbanos mais poluído.

Sendo assim, fica evidente a necessidade de uma mobilidade mais sustentável no Brasil. Para isso, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Infraestrutura, disponibilizar empréstimos para que as empresas de transporte invistam na melhora da qualidade e no aumento da quantidade de veículos coletivos com o objetivo de expandir o uso dessa modalidade e reduzir os engarrafamentos através da diminuição do número de carros nas ruas. Por fim, tendo em vista a redução da poluição atmosférica, o Poder Judiciário deve estabelecer a criação de um órgão que financie a construção de ciclovias e incentive, através de campanhas nos meios de comunicação, o uso de bicicletas como alternativa mais ecológica e saudável para o deslocamento.