A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 27/05/2020

Durante o mandato do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek, na década de 60, a política rodoviarista - promoção da construção de várias rodovias e empresas automobilísticas buscando maior integração territorial - foi o principal fator para o crescimento do número de automóveis circulando nas cidades. Porém, a procura por esses veículos têm mostrado-se crescente e isso acontece, principalmente, pela precária estrutura de transportes públicos oferecidos pelo governos, somado a importância social da posse desse item.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar a deficiência estrutural dos meios de locomoção disponibilizados para a população. Com a globalização - processo de integração dos indivíduos devido aos avanços tecnológicos e dos meios condução -, a quantidade de pessoas concentradas nas metrópoles foi acrescida, logo, a necessidade de mais recursos é evidente, sobretudo de meios de transporte. Desta forma, a alta demanda de ônibus, metrôs e trens têm ocasionado problemas em razão da superlotação e suas más condições. Como resultado, grande parte dos habitantes de grandes cidades optam por adquirir automóveis individuais, contribuindo para o congestionamento das vias.

Em segundo lugar, a importância fornecida socialmente para pessoas que possuem carros e motos particulares tem ocasionado uma maior procura desses itens, levando à crise da mobilidade urbana. De acordo com o livro “Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord, as pessoas transformam suas vidas em uma apresentação, fazendo de tudo para mostrar aos outros - a plateia - como suas vidas são perfeitas.  Logo, se submetem a fazer e comprar coisas que não querem ou não podem pagar, como um veículo, apenas para satisfazer os desejos alheios e isso auxilia na superlotação das rodovias, já que todos almejam ter seus carros, motos próprios.

Nesse viés, faz-se necessário que o Estado forneça mais recursos aos municípios, que investirão no reparo e compra de mais unidades automotoras coletivas de modo que, com um melhor suporte, as pessoas preferirão usar esses meios, fator que contribuirá não somente para a mobilidade urbana mas também será uma economia individual. Sendo assim, a crise da mobilidade urbana gerada pela política rodoviarista será minimizado.