A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/05/2020
Livre circulação
No início dos anos 2000 o Brasil tornou-se um dos BRIC’s, países emergentes com grande potencial de crescimento. O cenário de otimismo proporcionou uma redução de impostos, como o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), fomentando a compra de veículos. Nesse sentido, o aumento da frota tem agravado a crise da mobilidade urbana, seja pala alienação ao modelo rodoviarista, seja pela falta de atitudes governamentais.
Primeiramente, é preciso destacar, a cultura rodoviarista como um dos pilares desse entrave. Decerto, desde o Plano de Metas, “50 anos em 5”, do governo de Juscelino Kubtschek, ocorreu um direcionamento das verbas para os caminhões, em detrimento de modais com mais capacidade, como o ferroviário e o hidroviário. Isso se torna evidente, pela pequena e fragmentada malha de ferrovias, que não possuem integração devido à diferença de bitola dos trilhos. Tal panorama gera um aumento no trânsito de caminhões e carretas no meio urbano, dificultando a circulação de pessoas e mercadorias, haja vista, que é um dos gargalos econômicos que elevam o “Custo Brasil”.
Somado a isso, a inoperância estatal impede que o direito de ir e vir, garantido pela constituição de 1988, seja alcançado. Nesse contexto, a falta de investimento no transporte coletivo, promove um anacronismo, no qual os meios de deslocamento não acompanham a crescente demanda, visível na superlotação, insegurança, violência, casos de assédio e aumento do tempo gasto para se locomover. Decerto, isso promove um “ciclo vicioso”, uma vez que a insatisfação, dos usuários, faz com que inúmeras pessoas migrem para o transporte individual, que no caso dos grandes centros dificulta o movimento pendular, necessário para se deslocar até o trabalho.
Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de minimizar o problema da mobilidade urbana. Nesse sentido, o Ministério dos Transportes e o Executivo têm papel fundamental, esse, no curto prazo, pode investir na ampliação da oferta de modais alternativos, como ciclovias e ciclofaixas, além de aumentar os corredores de ônibus, no longo prazo, fornecer incentivos fiscais para as empresas que descentralizarem sua produção, com intuito de reduzir o movimento pendular, reduzindo distancias e o tempo perdido para chegar ao emprego, aquele deve incentivar modais alternativos como o ferroviário, que apresenta um baixo custo de manutenção e grande capacidade de carga, por meio de uma maior integração dos trilhos. Dessa forma, será possível modificar a rota do Brasil e, garantir da livre circulação nas cidades.