A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 25/05/2020

Na música “Construção”, de Chico Buarque, é declamado o seguinte: “Agonizou no meio do passeio público; Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego…”. Esta referência trás à tona um problema recorrente no Brasil principalmente a partir da construção em massa de rodovias, impulsionadas pelo governo de Jucelino Kubitschek(1956-1961): a crescente crise de mobilidade urbana. Nesse contexto, é notável que esse óbice se dá majoritariamente devido à falta de um sistema de transporte público de qualidade, que induz a população na compra de transportes individuais e pela rígida jornada de trabalho, que acarreta na aglomeração generalizada em horários específicos. Por esse ângulo, é fundamental a ação do governo a fim de apaziguar este impasse.

Em primeira análise, é indispensável mencionar que a falta de estrutura de transporte público e a exorbitante quantidade de transportes individuais dificulta a mobilidade urbana. No documentário “130 KM”, dirigido por Rodolfo Macedo, é retratada a vida de Ednete, Heraldo, Flávia e Mateus, moradores dos quatro bairros extremos da capital paulista, e é notável que a precariedade no transporte público é um grande fator que consome boa parte do tempo de seus dias, tendo-se em vista que muitas vezes o congestionamento é tão grande que demora cerca de 6 horas para que cheguem ao seu local de trabalho. Nesse seguimento, fica claro que é mais confortável e flexível a aquisição de transportes pessoais, já que sua estrutura e mobilidade é mais favorável. Contudo, esse raciocínio se aplica a boa parte da população e a afluência destes transportes está sendo um dos maiores motivos deste revés. Portanto, é fundamental que haja melhorias significativas na condução coletiva.

Em segunda análise, é mister citar que a inflexibilidade na jornada de trabalho contribui para a obstrução do trânsito. No documentário “Perrengue”, dirigido por Murilo Azevedo, é reproduzida a conturbada rotina dos habitantes da cidade de São Paulo, que passam horas em paralisações no tráfego de veículos. É importante frisar que, estas congestões ocorrem, sobretudo, em horários específicos – denominados de “Hora do rush”. Nitidamente, estes picos acabam sendo fruto de cargas horárias de muita rijeza e consequentemente influenciam diretamente na aglomeração generalizada. À vista disso, é essencial que haja maior flexibilidade nos horários de liberação do serviço.

Infere-se, portanto, a medular melhoria da mobilidade urbana. O Ministério do Transporte deve aliar as esferas municipal, estadual e federal voltados à melhoria da locomoção pública por meio de fortes investimentos na infraestrutura do transporte para que o tempo de condução seja otimizado. Ademais, o Ministério do Trabalho deve criar projetos de flexibilização de horários de serviço para evitar que toda a população saia ao mesmo tempo e acabe gerando intermináveis bloqueios.