A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 27/05/2020
A partir de 1937, com a criação do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), iniciou-se o processo de consolidação do sistema rodoviário brasileiro. Desde então, com a crescente urbanização do país, surgiram as preocupações acerca da mobilidade urbana, que atravessa uma crise cada vez maior nos dias atuais. Tal situação é corroborada, principalmente, pela péssima estrutura do transporte público da maioria das cidades brasileiras, somada à predominância de inflexíveis jornadas de trabalho entre a população.
A priori, o estado decadente do transporte público na maior parte do país é um poderoso fator negativo sobre a problemática em questão: tarifas com alto custo, veículos insuficientes e acomodações desconfortáveis são alguns dos principais aspectos que afastam grande parte da população do transporte coletivo. Diante disso, muitas pessoas optam pela compra de automóveis, intensificando o fluxo destes nos centros urbanos: de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já existe um carro para cada quatro pessoas no país, evidenciando uma acentuada ocupação das ruas por esses veículos, o que contribui para a formação de engarrafamentos e consequentes preocupações acerca da mobilidade urbana nacional.
Ademais, a ampla existência de jornadas de trabalho inflexíveis estimula diretamente a problemática em questão: muitos trabalhadores saem de seus lares no início da manhã e voltam, geralmente, no final da tarde, impossibilitados de articularem alterações em seus horários. Desse modo, as aglomerações nos chamados ‘‘horários de pico’’ dificultam intensamente a mobilidade urbana, gerando consequências como o estresse e a ansiedade. Sendo assim, devido às obrigações laborais, o indivíduo torna-se produto direto do meio onde vive, noção defendida pelo escritor francês Émile Zola e amplamente demonstrada pelos escritores naturalistas brasileiros no final do século XIX. Dessa forma, torna-se clara a necessidade da alteração desse cenário.
Portanto, evidencia-se a relevância do debate acerca da problemática em questão, que carece de soluções. Logo, urge que os governos estaduais, mediante parcerias com empresas privadas de transporte, ampliem as linhas de ônibus e metrô, além de disponibilizar mais bicicletas compartilhadas nos centros urbanos, a fim de oferecer maiores opções de locomoção no setor de transportes coletivos, diminuindo, assim, o acentuado fluxo de automóveis nas vias. Dessa forma, será possível mitigar os efeitos da crise na mobilidade urbana, possibilitando uma maior liberdade de locomoção às pessoas e reduzindo, assim, a dependência dos indivíduos em relação ao meio onde vivem.