A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 28/05/2020
O primeiro aumento considerável na frota de veículos brasileira ocorreu durante o governo de Juscelino Kubitschek,com o incentivo a instalação de industriais automotivas no país, dando início ao desenvolvimento desse mercado. Desde então, essa frota sofre constante aumento, desencadeando uma crescente crise na mobilidade urbana, que, por sua vez, está relacionada à inconsistente rede de transporte público e à falta de infraestrutura nos meios de transportes alternativos.
A priori, a precária rede de transportes púbicos existente no Brasil viabiliza a perpetuação da problemática. Nessa perspectiva, salienta-se o pensamento exposto pelo jornalista Gilberto Dimenstein no livro “Cidadãos de Papel”, o qual afirma que as leis no Brasil só são válidas no papel, ou seja, não são realmente aplicadas e seguidas. Convergindo, essa tese, com a situação problema, uma vez que apesar de estar previsto no artigo 6° da Constituição Federal de 1988 como direito social o transporte, muitos são impossibilitados de utiliza-lo, seja em decorrência da reduzida quantidade de veículos circulantes com fins à utilidade pública, resultando em uma superlotação,da instabilidade horária, ou da inseguranças que permeiam esses. Com isso, cresce o interesse pela aquisição de veículos particulares, que em consequência, elevam a quantidade de engarrafamentos e acidentes no trânsito.
Ademais, a infraestrutura existente destinada aos meios de transportes alternativos é outro fator que contribui com a mazela. Sob essa óptica, a curta extensão de ciclovias bem como a carências de faixas exclusivas destinadas a ônibus desestimula a utilização desses transportes por não ser viável a locomoção até o destino ou por não ser vantajoso para com a rapidez no deslocamento por esses meios. Dessa maneira, há um favorecimento na utilização de carros dentro das cidades brasileiras, como visto em dados do Ministério da Infraestrutura, os quais validam que mais de 40% da frota de veículos em circulação no Brasil são particulares.
Assim, percebe-se como a inconsistência da rede de transportes públicos e a falta de infraestrutura nos meios de transporte alternativos contribuem com a crescente crise na mobilidade urbana brasileira, sendo essencial medidas para solucionar esses problemas. Desse modo, é necessário que o Ministério da Infraestrutura aumente a frota veicular de transportes públicos bem como melhore a infraestrutura dos transportes alternativos,determinando faixas exclusivas a ônibus e construindo ciclovias que se interliguem ao principais pontos das cidades, por meio do repasse de verbas específicas aos Governos Municipais que enfrentam problemas com a mobilidade, para dessa forma, garantir o direito ao transporte e atrair mais pessoas adeptas a usufruir de transportes alternativos.