A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 30/05/2020
Chico Buarque, em sua música “Construção”, ilustra uma problemática bastante presente em muitas cidades do país, o trânsito. Realidade essa que faz parte do dia a dia de muitos trabalhadores que acabam por se atrasar em seus trabalhos e experimentar longos períodos de ansiedade e estresse, além dos riscos de acidentes. Tal perspectiva denota falha do governo em se tratar deste assunto e leva em pauta a importância de medidas por parte do próprio governo e de iniciativas privadas para resolver essa problemática, pois é evidente e necessário se falar da crise na mobilidade urbana brasileira.
Primeiramente, deve-se analisar a crescente quantidade de veículos no país, partindo de um conceito construído a tempos e da insegurança da população quanto aos transportes públicos. O governo de Juscelino Kubitschek foi marcado por um maior investimento nas indústrias automobilísticas e junto a isso a criação de uma cultura na qual o carro é sinônimo de status social, mantendo-se até os dias atuais. Entende-se então que, o grande número de veículos explica-se através do favorecimento dos automóveis nas cidades brasileiras e dos problemas nos transportes públicos, promovendo o desejo do próprio meio de transporte. Além disso, pode-se tomar como exemplo a capital Brasília, que apresenta longas avenidas tornando difícil a circulação de pedestres
Dessarte, a superlotação, insegurança, demora e o sucateamento corroboram a péssima estrutura dos transportes públicos brasileiros, levando os indivíduos a optarem por adquirir um automóvel ou buscar transportes alternativos; esta última é uma opção pouco provável, pois falta infraestrutura para ciclovias e faixas de pedestre. Ademais, é perceptível o desrespeito aos transeuntes e aos ciclistas, devido a vulnerabilidade desses, muitas vezes acarretando em acidentes. Paralelamente, é importante salientar o aumento da emissão de gazes poluentes os quais poderiam ser resolvidos caso medidas fossem aplicadas em larga escala.
Convêm, portanto, que o governo em parceria com os Ministérios da Segurança e dos Transportes trabalhem na infraestrutura das grandes cidades através do planejamento urbano, construção de ciclovias, faixas de pedestres e grandes avenidas, além da reforma do transporte público, com a finalidade de proporcionar melhorias na mobilidade urbana. Tal agente poderia também, com ajuda da mídia, fazer trabalhos de conscientização a respeito do uso de transporte coletivo e procura de meios alternativos de locomoção como bicicletas e patinetes, além de contar com auxílio da iniciativa privada para realização de tais obras. Outrossim, as instituições de ensino devem promover palestras, debates e campanhas sobre a importância da redução de emissão de gazes, visando divulgar conhecimento para a população. Dessa forma, o país se tornará mais desenvolvido.