A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 11/06/2020

As Grandes Navegações e Revoluções Industriais com suas tecnologias foram o marco para a mobilidade, pois possibilitaram deslocamentos maiores bem como diminuíram o problema do tempo de percurso. Contudo, o excesso de veículos e seus transtornos para a população, característico da crescente mobilidade urbana, trouxeram de volta a problemática do ir e vir, seja por causa do trânsito, seja pela pouca variedade de modais. Sendo assim, medidas são necessárias para combater essa crise.

Em primeiro lugar, é preciso analisar como o trânsito atrapalha a mobilidade urbana. De acordo com a pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito, o brasileiro passa em média quase 40 dias no trânsito das capitais evidenciando-se, dessa maneira, um empecilho no deslocamento, o que gera um impacto na qualidade de vida da população, a qual poderia aproveitar esse tempo de maneira mais produtiva. Ademais, é o oposto da ideia de mobilidade, pois esse tempo é gasto parado. Dessa forma, a interligação e obras de infraestrutura na diversidade dos modais de transportes são essenciais.

O problema, porém, está longe de ter solução, visto que a pequena variedade nos modais é uma máxima da mobilidade urbana brasileira. Embora a continentalidade e diversidade climática brasileira permitam a implementação de todos os modais, com exceção da Região Norte, que tem preferência pelo modal hidroviário, a maior parte das áreas urbanas utilizam as rodovias quase exclusivamente, devido a política desenvolvimentista do governo JK. Tal escolha teve como consequência um enorme fluxo de veículos nas estradas, que na atual conjuntura, aprofunda ainda mais a crise da mobilidade urbana, dado que a distribuição das frotas em diversos modais é ideal para garantir o deslocamento sem adversidades.

Fica claro, portanto, que a crescente crise da mobilidade urbana brasileira é causada por problemas estruturais. Dessa maneira, a Câmara de Deputados deve aumentar o orçamento para obras de infraestrutura no setor dos transportes, promovendo corte de gastos em áreas não essenciais, a fim de ampliar, reformar e interligar os modais, melhorando a qualidade dos serviços públicos e diminuindo, dessa forma, o número de carros nas vias. Além disso, pode incentivar o uso dos modais corretos para longas distâncias, oferecendo incentivos fiscais para empresas que utilizem ferrovias e hidrovias em detrimento das rodovias, com o objetivo de desafogar o trânsito. Assim, a problemática do tempo perdido pode ter fim e o ir e vir será facilitado, bem como a qualidade de vida das pessoas aumentada.