A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/06/2020
A série televisa “A Guerra dos Tronos” aborda, em um de seus episódios, a incompetência governamental e retrata um caos instaurado após o bloqueio no abastecimento de comida na cidade. A onda de fome, associada à inércia do rei Joffrey, ocasiona à morte de milhares de pessoas. Fora da ficção, é perceptível que o Estado tem se mostrado ineficaz na solução da crescente crise de mobilidade urbana, seja pela reafirmação do modelo rodoviarista ou pela ausência de investimentos no transporte público. Tal fato, intensifica à desigualdade social, os congestionamentos e acidentes de trânsito. Sendo assim, medidas são necessárias para mitigar essa problemática.
Em primeiro lugar, é substancial destacar a persistência na priorização do modelo rodoviário que privilegia os automóveis em detrimento a outros meios de transporte. No século XX, a partir do “Plano de Metas”, o presidente Juscelino Kubitscheck, promovia a ampliação de estradas e o uso de veículos. Em decorrência disso, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito, o Brasil atingiu, atualmente, o patamar de um carro para cada quatro habitantes. Esse elevado número de veículos, impossibilita a fluidez de ônibus nas vias e prejudica diretamente à população carente que vive nas periferias, depende do transporte público e gasta um terço de sua vida para se locomover ao trabalho, como aponta o Jornal BBC News no documentário “Uma vida no ônibus”. Dessa forma, é irrefutável que investimentos no transporte público sejam adotados emergencialmente.
Faz-se mister, ainda, salientar a insistência do Governo Federal em destinar poucos recursos para mobilidade urbana. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Socioeconômicas, dos recursos da União aprovados para o Programa de Mobilidade Urbana - que prioriza o transporte público em detrimento ao individual motorizado - apenas um quarto tem sido empregado pelos estados e municípios. O que se mostra um contrassenso, pois o modal coletivo, ao transportar mais passageiros por viagem, permite maior fluência e diminuição e acidentes de trânsito, uma vez que estes representam apenas um porcento dos acidentes no Brasil. Diante de tal contexto, é inquestionável que a ingerência de uma nação, como a da série citada, pode dificultar a vida da população. Portanto, é inquestionável a precisão da restruturação desse modelo.
Infere-se, portanto, que há entraves para garantir a segurança e bem estar da população. Dessa forma, urge que o Governo, em parceria com estados e municípios, apliquem os recursos, já aprovados, na ampliação da malha ferroviária subterrânea e na duplicação das faixas destinadas a ônibus, para assegurar a fluidez do trânsito. O projeto deve ser desenvolvido por engenheiros e geólogos, por meio de softwares modernos para garantir assertividade e, consequentemente, a redução da crise vigente.