A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 01/11/2020
O conceito de entropia, da física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne a crescente crise na mobilidade brasileira, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: o legado histórico e a falta de investimentos.
É indubitável, nesse contexto, que o legado histórico esteja entre as causas do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Assim, a crise na mobilidade urbana, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrísecas à história brasileira, o que dificulta ainda mais sua resolução.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de investimentos. Segundos dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimentos no Brasil, somando setores públicos e privados, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. No entanto, para agir sobre essa crescente problemática, é preciso investimento massivo. Como há uma lacuna financeira no que tange ao problema, sua amenização tem sido complicada.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Dessa forma, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos para a logística urbana, a fim de remanejá-los a áreas que mais necessitam. Para que tal destinação seja coerente com a realidade brasileira, estes orgãos podem criar consultas públicas, nas quais a população interaja e aponte questões sobre a problemática da mobilidade urbana, que precisa ser resolvida com urgência.