A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/05/2020

No fim do século XX, o presidente da república Juscelino Kubitschek investiu bruscamente na urbanização do país, atitude essa fundamentada na sua proposta de governo que gerou um decréscimo considerável no índice de desemprego e um aumento notório no Produto Interno Bruto (PIB). Fora da historiografia, a realidade não é a mesma, visto que a crise intensa no transporte urbano é um desafio a ser superado. Pode-se dizer, então, que não só a ínfima participação do Estado, mas também as diretrizes do trabalho são os responsáveis pelo cenário contemporâneo.

A priori, é perceptível o poder de coercividade que a instituição social Estado exerce sobre os cidadãos, portanto, quando não há o envolvimento efetivo dessa em alguma causa, o insucesso é certeiro. Acerca do meio urbano atual, é nítido que esse carece de uma melhor infraestrutura, movimentos de apoio ao transporte adequado para a conservação do meio ambiente e, consequentemente, um diálogo harmônico entre morador e órgão social. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar da população local, entretanto, isso não ocorre no Brasil.

Ademais, é visível o quão responsável se torna as empresas comerciais ao padronizarem os horários de seus funcionários, haja vista a formação da “hora do rush”, momento mais conturbado e caótico das grandes metrópoles, que desencadeia estresse e ansiedade nos brasileiros. Movidas pela realidade do século XXI, as grandes multinacionais, principalmente, tendem a manter uma visão individualista e lucrativa para com os seus subordinados, os quais acabam não tendo uma rotina agradável no percurso e no trabalho. De acordo com o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo pode gerar inúmeras consequências negativas para a sociedade, dessa maneira, a tese do intelectual alemão se aplica com perfeição nos dias atuais.

Dado o exposto, observa-se que reformulações são necessárias a respeito do contexto urbano brasileiro. Sendo assim, cabe ao poder legislativo, instância máxima na criação e aplicação das leis, promover projetos com cunho social elevado acerca do transporte nacional e instaurar políticas normativas direcionadas as multinacionais. Essa deve ser aplicada por meio de intimações escritas, propondo uma flexibilidade de horários aos funcionários de determinadas companhias, já aqueles devem ser executados por intermédio de reparações nas propostas governamentais que já estão em vigência juntamente a novas ideias de caráter coletivo. Assim, a realidade atual irá ao encontro da narrativa imposta no governo do presidente Juscelino Kubitschek.