A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 31/05/2020
A crise da mobilidade urbana brasileira teve seu início logo no começo da colonização do país, quando a coroa passou séculos sem dar importância para a infraestrutura e mobilidade na colônia para apenas durante a descoberta do ouro em Minas Gerais começar a ter uma preocupação real com este aspecto do Brasil. De acordo com os postulados do urbanista e arquiteto suíço Le Corbusier, que iniciou o modernismo em ambas as áreas em que trabalhava, as necessidades humanas fundamentais, para a arquitetura e urbanismo, são: recrear, habitar, trabalhar e circular, a infraestrutura e a mobilidade urbana brasileiras põem em cheque todas as quatro, especialmente com os mais pobres.
A gritante diferença nas capacidades de satisfação das necessidades básicas modernas é chocante no Brasil. Membros das camadas mais altas da sociedade que tem condições de manterem-se usando o transporte particular, bem de difícil acesso no Brasil, enquanto as camadas mais baixas são forçadas a manter-se utilizando o transporte público precarizado brasileiro. A diferença numérica entre aqueles que tem e não tem acesso ao transporte particular também agrava o fenômeno da superlotação de ônibus e metrôs, muito presente nos centros urbanos.
Devido à forma com que foram dados os primeiros passos da evolução infraestrutural no Brasil, criou-se uma concentração abrupta do já reduzido transporte público brasileiro nos grandes centros urbanos e, regionalmente, no sudeste do país. A falta de acesso à locomoção no Brasil compromete a capacidade de recrear e trabalhar, pois os mais pobres ficam circunscritos apenas às áreas, muitas vezes insalubres ou até mesmo beirando a insalubridade, que habitam.
Para tirar a infraestrutura nacional do estado de quase falência no qual se encontra, é necessário, primeiramente, que o governo federal passe a disponibilizar mais verba para os governos estaduais, que deverão focar-se em disponibilizar mais dinheiro para departamentos de urbanismo em universidades públicas, fornecendo um ambiente propício para estudos que garantam um avanço teórico que possibilite a existência de um meio urbanístico de alta qualidade capaz de solucionar as futuras questões urbanas nacionais, e para as prefeituras, que devem trabalhar junto à especialistas para encontrar uma forma eficiente de aumentar frotas de ônibus, e melhorar a situação e presença de linhas de metrô, focando nas regiões mais fragilizadas das cidades.