A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 14/06/2020

Desde a década de 1950, o número de veículos em circulação no Brasil tem crescido de forma exponencial. Atualmente, é notória a crise da mobilidade urbana no país, pois, como comprovam as filas de trânsito nas grandes cidades, há uma frota maior do que o espaço pode comportar. Nessa perspectiva, torna-se necessário analisar as causas da problemática: a má infraestrutura do transporte público e o planejamento inadequado das vias.

Segundo a empresa de pesquisa “IBOPE”, 83% dos brasileiros responderam que dariam preferência aos modais coletivos caso esses correspondessem às suas expectativas. Partindo dessa análise, é evidente a precariedade do atual serviço oferecido. Por exemplo, é comum serem insuficientes as linhas e o número de ônibus para a demanda da população, a qual é sujeita a aglomerações no deslocamento diário. Além disso, muitas capitais não possuem meios alternativos, como o metrô. Consequentemente, devido ao conforto promovido, os cidadãos optam por carros particulares, o que sobrecarrega as ruas e avenidas.

Outrossim, é vigente a “carrocracia”, expressão utilizada para fazer referência a como as cidades são planejadas, de modo que os automóveis são favorecidos. Decerto, calçadas e ciclovias são minoritárias quando analisa-se a distribuição espacial, o que possui sérias consequências ambientais. Em particular, o excesso de asfalto e a ausência de vegetação contribuem para o agravamento das ilhas de calor, fenômeno correspondente à elevação da temperatura em determinada área. Devido a essas características do ambiente e à grande quantidade de gás CO2 liberado pelos escapamentos, a radiação solar é retida na camada próxima à terra, tornando-a mais quente, o que é comprovado ao verificar a transformação do microclima de um local nos últimas anos, período de urbanização exacerbada.

Portanto, é imprescindível que sejam tomadas medidas para combater essa crise. Dessa maneira, é dever do Governo Municipal das grandes cidades promover uma melhora no sistema de transporte público, por meio do investimento financeiro em uma maior frota e na boa estrutura dos ônibus, além da implementação do metrô, com o fito de proporcionar meios mais atraentes para a população. Ademais, o mesmo precisa diminuir a quantidade de asfalto nas ruas, a partir do alargamento das calçadas e sua posterior arborização, com o propósito de amenizar as ilhas de calor. Assim, será possível promover áreas urbanas ecologicamente corretas e com menos problemas de trânsito.