A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/06/2020
A Segunda Revolução Industrial trouxe outra forma de olhar para os meios de transportes, nela surgiram as indústrias automobilísticas. Além disso, houve uma supervalorização do carro próprio, principalmente pela empresa “Ford” - maior indústria nesse setor. Como consequência, mesmo décadas após esse marco histórico, o veículo individual tornou-se um desejo para muitos, o que somado à rápida urbanização ocasiona um problema para a mobilidade urbana.
Primeiramente, o aumento nas vendas de carros, motivada pela a busca da realização pessoal, é um problema para a locomoção urbana. Com a chegada dos automóveis no Brasil foi construído um status de poder sobre eles, devido só ser possível a aquisição por indivíduos abastados. Todavia, esse pensamento não se restringiu ao passado, ele perpetuou até os dias atuais, o que influencia a busca pela compra deles – tal fato pode ser explicado pelo “Fato Social”, de Durkheim, o qual relaciona atitudes individuais com pensamentos coletivos. Dessa maneira, a supervalorização de veículos próprios implica em acréscimo de suas vendas, o que eleva a circulação nas vias – mais do que é suportado –, gerando congestionamento e consequentemente um problema à mobilidade urbana.
Ademais, o desafio da locomoção nas cidades é consequência de uma urbanização abrupta. O Brasil iniciou sua industrialização nacional de forma tardia, o que favoreceu a chegada de empresas internacionais. Tal fato ocasionou uma urbanização desorganizada, por volta de 1940, a qual se intensificou com a criação de leis trabalhistas no campo e a Revolução verde – na década de 60 -, com grande êxodo na busca de emprego. Com isso, não houve tempo para o Estado reorganizar a estrutura física local, a qual não fora planejada para o aumento expressivo no número de pessoas circulantes. Nota-se, pois, que a ligeira ocupação da área urbana impossibilitou mudanças locais significativas para que a mobilidade não se tornasse o problema que é nos dias hodiernos.
Medidas, portanto, para minimizar o impacto do aumento de indivíduos com carros próprios e a rápida urbanização nessa problemática da mobilidade são necessárias. Assim, através do diálogo entre o governo e concessionárias de automóveis deve-se limitar a venda, por meio de leis. Nelas, haverá idade mínima para compras, 40, e número máximo de automóveis por residência, 1, com o afã de diminuir o número de veículos em circulação. Além disso, os governos estaduais, mediante verbas federais, necessitam investir em restruturações físicas e em transportes coletivos, a fim de melhorar o trânsito. Desse modo, as adversidades geradas pela Segunda Revolução Industrial serão coibidas.