A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 08/06/2020
“A cidade avançada não é aquela em que os pobres andam de carro, mas aquela em que os ricos usam transporte público”. Tal frase fora promulgada pelo urbanista colombiano Enrique Peñalosa, e sintetiza o cenário ideal da mobilidade das metrópoles, onde uma excelente locomoção coletiva seria capaz de convencer toda a sociedade a utilizá-la, e que, por conseguinte, excluiria a necessidade de meios de transporte individuais. Consoante á essa ideia, é possível apontar o principal motivo da crise na mobilidade urbana brasileira, que é a falta de investimentos estatais nos serviços de deslocamento público, e na incapacitação das cidades para atender a outros tipos de modais.
Primordialmente, é válido reconhecer de que forma o Estado vilipendia o desenvolvimento da movimentação urbana, além dos respectivos impactos. Consoante à uma pesquisa do IBGE, 83% dos entrevistados deixariam de utilizar automóveis caso houvesse uma alternativa de transporte público de qualidade. Tais dados comprovam que há uma enorme falha na garantia da excelência desse almejado tipo de serviço, que se mostra na má qualidade dos veículos e em suas baixas quantidades diante de uma alta demanda. Mostra-se óbvio que esse fracasso é resultado da falta de investimentos por parte do Governo, que deveria ser responsável pela garantia de um transporte público de qualidade para todos (como previsto na Constituição Federal de 1988). Em suma, o resultado desse cenário é o maior uso dos carros, o que cria trânsitos e contribui diretamente para a crise da mobilidade urbana.
Ademais, a falta de investimentos estatais nas cidades cria ainda mais dificuldades para a movimentação metropolitana. Analisando dados da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, o número de ciclistas que utilizavam a Avenida Paulista entre 2014 e 2015 dobrou, motivados pelas sensação de segurança das novas ciclovias. Diante de tais dados, é possível estabelecer uma relação diretamente proporcional entre a concepção de suporte para outros tipos de modais e a utlização deles, o que diminui o uso de carros e colabora para a melhora da problemática da mobilidade urbana. Entretanto, é incontestável que muitos dos governos das cidades não investem em tais opções.
Com o intuito de amenizar essa problemática, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve melhorar a qualidade do transporte público, por meio de investimentos em cidades para a criação de novos automóveis coletivos com excelência funcional, o que faria mais pessoas os usarem ao invés de optarem por carros, e por consequência, melhoria a mobilidade urbana. Outra atitude que esse ministério poderia tomar pelo uso de investimentos, seria na criação de alternativas para os transportes convencionais, como ciclovias ou aplicativos de caronas, o que faria com que o uso de carros diminuísse e a problemática da movimentação urbana fosse enfim solucionada.