A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 08/06/2020
Com sua política rodoviarista, o ex-presidente, Juscelino Kubitschek, facilitou a instalação de indústrias automotivas no Brasil e inundou o mercado de carros. Consequentemente, na atualidade, há uma crescente crise na mobilidade de grandes e médias cidades brasileiras. Nessa perspectiva, observa-se que esse contexto é sustentado por fatores socioculturais, que prejudica a saúde mental dos cidadãos.
Em primeiro plano, o processo de apoio ao setor automobilístico foi intensificado pelo “American Way of Life”, ou seja, estilo de vida norte-americano, propagado pelo cinema americano.Com isso, o conceito de indústria cultural- produção de bens culturais padronizados que manipulam a sociedade- abordado pela Escola de Frankfurt, mostra que a aquisição de automóvel se tornou um fator de glamurização. Nesse sentido, esse panorama colaborou para que exista, no país, o “carrocentrismo”, em que os indivíduos se convencem de que o transporte automobilístico particular é a melhor forma de se locomover.
Outrossim, esse contexto de valorização do transporte individual acarreta em episódios frequentes de congestionamento nas cidades brasileiras. A exemplo disso é mostrado no documentário “130 Km”, em que se registra um congestionamento total de 130 Km na cidade de São Paulo. Em consequência, as pessoas que possuem exposição a esse tipo de cenário têm a sua saúde mental prejudicada, haja vista o aumento do estresse e ansiedade que ocasionam o desenvolvimento de transtornos psicossociais.
São necessárias, portanto, medidas para desconstruir a cultura carrocêntrica e valorizar a utilização de transporte público no Brasil. Para tanto, o Ministério da Infraestrutura deve investir em serviços de ampliação da variedade de modais locomotivas das cidades, especificamente aumento das ciclovias e mais horários para frotas de metrô e ônibus. Isso deve ser feito por meio de parcerias com empresas privadas, além de uma propagação midiática que minimize a valorização do carro.