A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 20/09/2020

Em um dos episódios da série jornalística “Caminhos da Reportagem”, que tem como objetivo explorar diversos problemas das sociedades contemporâneas, há o debate acerca dos desafios da mobilidade urbana nas grandes cidades do mundo e como isso mostra a deficiência das políticas públicas voltadas a este tema. Fora da ficção, no Brasil, tal tema é preocupante, visto que a baixa qualidade dos transportes públicos e a falta de planejamento urbano são alguns dos fatores que contribuem para a crescente crise da mobilidade urbana, tornando-se imprescindível medidas para reverter esse quadro no país.

Cabe abordar, a princípio, que a péssima qualidade dos transportes públicos faz com que muitas pessoas sonhem com a possibilidade de comprarem carro próprio, tornando-se um dos responsáveis pelo aumento maciço destes em todo o país. De acordo com o levantamento anual feito pela Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos(NTU), o número de pessoas que utilizam o ônibus como principal meio de locomoção caiu 9,5% em 2017. Em contrapartida, a frota de automóveis no Brasil cresceu 400% desde a década anterior, segundo a Fundação Getúlio Vargas(FGV). Esses números denunciam a ausência de políticas públicas efetivas voltadas para o transporte de massas e mobilidade urbana, além de refletir os possíveis impactos ambientais que isso pode gerar às cidades.

Ademais, a falta de planejamento urbano é outro fator a se considerar, pois, somando isso à quantidade exorbitante de carros circulando diariamente, tem-se o aumento desenfreado de congestionamento nas principais avenidas. E isso se intensifica cada vez mais nos dias atuais, uma vez que a infraestrutura das grandes metrópoles não acompanham o ritmo dessa frota de automóveis. Segundo o jornalista e ambientalista Paul Hawken, “tudo está conectado, nada pode mudar sozinho.”, logo para que haja mudanças efetivas diante dessa problemática, é preciso uma integração do transportes público e individual com o planejamento urbano, em prol da sustentabilidade e do bem-estar coletivo.

É evidente, portanto, que a crescente crise da mobilidade urbana no país é um fator preocupante que exige atenção da sociedade. Assim, é necessário que a NTU aplique as verbas destinadas ao transporte na formação de cidades mais sustentáveis e menos congestionadas, por meio da construção e ampliação de rodovias e avenidas, além de investir cada vez mais em uma melhor infraestrutura dos ônibus e metrôs - como a criação de transportes de trânsito rápido(BRT)-, a fim de mitigar os problemas relacionados à mobilidade urbana e garantir o bem estar de quem os utiliza diariamente. Dessa forma, os desafios citados pela série jornalística deixarão de ser uma realidade brasileira.