A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 11/06/2020
Desde o governo de Juscelino Kubitschek, quando a indústria automobilística desenvolveu- se intensamente e o capitalismo e a industrialização cresceram de forma drástica, optar pelo transporte individual motorizado se tornou uma escolha cada vez mais banal para os cidadãos brasileiros. Entretanto, a necessidade de reverter esta situação vem gradativamente se tornando uma emergência no Brasil, uma vez que se não resolvida na atualidade, as repercussões futuramente serão ainda mais prejudiciais para a sociedade, e sucessivamente mais difíceis de serem revertidas.
Em primeiro lugar, a falta de investimentos nos transportes públicos e em áreas para circulação de veículos alternativos, como a bicicleta, por exemplo, é a principal razão para que população assuma a ideia de que o transporte individual, como o carro, seja o melhor meio para locomoção. Ainda mais, essa careza de investimento é o motivo do estado precário em que esses meios de transporte se encontram, causando desconforto e insegurança ao utilizá-los. Isso reforça a ideia de que a adesão aos veículos individuais é a melhor alternativa de deslocamento. Da mesma forma, há uma baixa oferta de meios de transporte público que sejam viáveis e eficientes para toda população, potencializando a ideia de uma manutenção que atenda a necessidade de todos.
Em virtude disso, as consequências geradas pelo excesso de automóveis não se reduzem apenas a limitação do fluxo e o sobrecarregamento do espaço, mas também acarretam o aumento do índice de acidentes e a poluição do ambiente a partir não só dos gases liberados por eles, mas também pelo barulho excessivo que causam. Ademais, com a grande quantidade de gases emitidos, o efeito estufa e aquecimento global também são afetados por esse agrupamento urbano. As pessoas que residem em domicílios localizados nos subúrbios ou mais distantes das cidades também são afetadas, haja visto que locais de parada e a quantidade desse transporte público, como o ônibus, são distribuídos principalmente entre as regiões mais centradas nas cidades.
Portanto, as Secretarias dos Transportes Metropolitanos de cada estado devem promover a mobilidade urbana sustentável, optando pela construção de ciclovias pelas cidades e investindo na produção de combustíveis menos poluentes a partir das verbas governamentais. Deste modo, também pode haver uma parceria por parte do Estado com o Ministério Público de cada estado, visando ao investimento e à melhoria nos transportes públicos, de modo que agreguem todo o território das cidades em seus percursos de forma igualitária a fim de reduzir o uso dos transportes individuais motorizados e melhorando o fluxo nos espaços. Também cabe à população brasileira a optar por esses recursos. Só assim, talvez, a mobilidade urbana passe a ser justa e sustentável.