A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/06/2020

A Constituição Federal de 1988 garante ao cidadão brasileiro o direito de ir e vir com segurança. Contudo, observa-se que tais garantias não são efetivadas da maneira devida, uma vez que a crise na mobilidade urbana cresceu consideravelmente nos últimos anos. Nesse âmbito, é importante notar que a problemática possui graves consequências e razões inadmissíveis que necessitam de análise imediata, pois, caso o quadro não seja remediado, efeitos poderão se agravar e tomar maiores proporções. Dessa forma, urge que o governo do País atue na resolução do impasse.

Sob essa ótica, o documentário “130km - Vida ao Extremo” mostra os desafios enfrentados por moradores da periferia de São Paulo na locomoção para o centro da cidade e de que forma a imobilidade prejudica sua rotina diária. Nesse sentido, é imperioso destacar que a adversidade, além de causar problemas de estresse e ansiedade, coopera para o agravamento de questões ambientais, visto que a grande quantidade de automóveis e sua longa permanência nas rodovias influencia na formação de ilhas de calor e no aumento do efeito estufa. Outrossim, a economia do País pode ser severamente afetada, posto que a eficiência no escoamento de produtos e deslocamento de funcionários é determinante para a atração ou repulsão de empresas de grande porte. Logo, pode-se perceber que, na hipótese de o cenário não ser reestruturado, diversos serão os impactos a refletir na sociedade.

Por esse prisma, o ex presidente Washington Luís apresentou como uma das principais particularidades de sua gestão a ideia de que governar é abrir estradas. Atualmente, é possível ratificar tal teoria ao se observar que a carência de vias urbanas para modais alternativos, é um fator decisivo para a persistência da crescente crise de mobilidade, que prejudica decisivamente o desenvolvimento do País. Em segundo lugar, a péssima estrutura dos transportes públicos e sua falta de segurança são uma crescente no dilema, uma vez que quem tem melhores condições evitará esse modal a qualquer custo e irá preferir investir em veículos individuais. Diante disso, reafirma-se a tese de que a ação estatal é crucial na mitigação do dilema.

Portanto, medidas são necessárias para resolução do impasse acerca do declínio da mobilidade urbana no Brasil. Para tanto, o Ministério da Infraestrutura deve priorizar programas de investimento em transporte, de modo semelhante ao projeto Coletivo lançado em Brasília, por meio da implementação de diretrizes eficazes, o que deve ser feito a fim de melhor o estado da condução no País e aumentar a quantidade de pessoas que usufruem desse modal. Ademais, é pertinente incentivar o uso de outros meios de locomoção, por meio da construção de vias para modais alternativos. Desse modo, espera-se que os princípios constitucionais sejam honrados.