A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/06/2020

Durante o governo JK, diversas montadoras automobilísticas foram instaladas no Brasil, incentivando o consumo de automóveis por parte da população. Hodiernamente, tais veículos são, ainda, atribuídos como artigos de status, e vêm sido intensamente adquiridos, o que compromete - em conjunto com a consequente priorização dos automóveis pela falta de ação governamental - a mobilidade urbana do país. Urge, então, mais atenção das esferas públicas e privadas para mitigar essa adversidade.

Realmente, medidas como a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), instituída em 2012, demonstra certo avanço para a melhora da locomoção nas cidades brasileiras, entretanto a crescente crise na mobilidade urbana elucida a insuficiência de investimentos nesse setor. Ainda que a PNMU estabeleça medidas para aplacar a lentidão no tráfego, o sucateamento do transporte público e a escassa infraestrutura para outros modais - fruto da negligencia governamental - acarretam o aumento da frota de carros, que, por sua vez, agrava o congestionamento da via pública. Assim, esse descaso por parte da esfera pública prejudica a integração da urbe e fere o direito á cidade garantido pela Constituição Federal.

Outrossim, a herança cultural do governo JK de valorização do automóvel é outro catalisador para a crise na mobilidade urbana, já que o foco nos veículos individuais corrobora a inferiorização de outros meios de locomoção. Assim, a mentalidade atrofiada quanto a diversificação de modais para garantir a fluidez obsta uma melhora desse panorama aflitivo pois, segundo o arquiteto e urbanista Fabiano Sobreira, pouco adianta mudar o modelo econômico ou político se o novo modelo cívico não se instalar para alicerçar a solidariedade social. Portanto, para garantir a livre circulação de todos, mediante diferentes formas de acessibilidade, é necessário que haja uma mudança profunda de pensamento e de padrões.

Logo, é mister que o Governo Federal intensifique os investimentos em mobilidade urbana, por meio de uma reorganização de suas verbas, com parte delas redirecionadas à melhoria do transporte público e ao investimento em infraestrutura que propiciem mais qualidade aos transportes alternativos. Ademais,  as instituições educacionais e formadoras de opinião devem promover a construção de uma cultura na qual a logística da cidade priorize a mobilidade coletiva. Com essas medidas, as vias públicas tornar-se-ão desobstruídas e a crise na mobilidade urbana superada, propiciando o fluxo no tráfego, nos ditames da Carta Constitucional.