A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/07/2020

No filme americano de ficção científica “De volta para o futuro”, a realidade vivida no ano de 2020 é retratada com transportes voadores de última tecnologia dispostos em um trânsito aéreo ordenado. Contudo, na atual sociedade brasileira, as previsões fictícias não se concretizaram, uma vez que o sistema de mobilidade urbana encontra-se em situação caótica e de grave crise em suas estruturas. Nesse cenário, a má qualidade do transporte público com a consequentes superlotação de veículos nas vias urbanas constituem principais desafios à facilidade do tráfego humano.

Em primeiro lugar, é válido apontar a preferência do transporte particular pela maioria populacional em detrimento à utilização dos meios públicos de locomoção. Tal cenário constitui consequência direta do amplo processo de abertura às indústrias automobilísticas estrangeiras durante o governo de Juscelino Kubitchesk, como medida de seu plano desenvolvimentista “50 anos em 5”. Percebe-se então que, desde a administração de JK, o sistema de transporte público foi posto em segundo plano, o que repercute, hoje, na baixa qualidade do serviço, manifestada pela insuficiência de linhas e pela superlotação de pessoas. Nessa perspectiva, o transporte privado surge como uma falsa solução, uma vez que acarreta consequências drásticas no âmbito social.

Em segundo lugar, a ampla utilização automobilística nas vias de transporte gera impactos preocupantes no âmbito social. Nesse panorama, o “inchaço urbano”, fenômeno geográfico no qual determinadas áreas urbanas têm seu crescimento populacional de forma desordenada, flui diretamente no “inchaço” também, do trânsito. Desse modo, tem-se mais pessoas e como resultado, mais veículos particulares nas ruas, o que acarreta a lentidão no deslocamento, estresse ao motorista e aumento de acidentes. Nesse ínterim, faz-se necessário a ampliação de modais alternativos de locomoção para diminuir os congestionamentos nas principais vias urbanas.

Face a esse contexto, medidas de caráter emergencial devem ser adotadas para combater a crise na mobilidade brasileira. Para tanto, urge que o governo municipal em parceria com as empresas privadas de transporte, amplie o alcance dos modais pela disponibilização de novas redes de ônibus e de metrô, bem como de novos veículos. Tal medida deve fomentar a melhoria do sistema de transporte público de modo a evitar a aglomeração de passageiros. Ademais, a mesma parceria deve promover o fornecimento de recursos que permitam a integração entre diferentes modais de locomoção, como cartões ou vales de transporte específicos, para diminuir a formação de engarrafamentos. Somente assim, haverá um sistema de tráfego organizado e tão eficaz quanto aqueles idealizados na ficção futurista.