A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 21/07/2020

Em meados dos anos 50, o Brasil, governado pelo então presidente da república Juscelino Kubitschek, recebeu investimentos expressivos na indústria automobilística, o que criou a conhecida ‘‘cultura do automóvel’’ e fez com que o carro fosse um dos principais meios de locomoção do Brasileiro. Contudo, devido a falta de infraestrutura e planejamento urbano necessários para receber tantos veículos notaram-se diversas problemáticas na mobilidade urbana -sobretudo nos grandes centros que sofrem com congestionamentos frequentes- que perduram hodiernamente. Portanto, convém analisar-se a causalidade de tal impasse.

É inegável que a falta de planejamento e infraestrutura estejam entre as causas do problema.o Brasil é um país que privilegia o investimento em vias para o tráfego de automóveis privados, o lema “Governar é abrir estradas” citado pelo ex-presidente Washington Luiz confirma tal fato, enquanto o investimento em melhorias para o transporte coletivo é insuficiente. Uma pesquisa realizada pelo IBOPE afirma que, na cidade de São Paulo, 2,3 milhões de habitantes deixariam de utilizar seus carros se o transporte público fosse eficiente, o que chama atenção para o descaso dos órgãos competentes para com o mesmo.

Consequentemente, observa-se uma crescente crise na mobilidade urbana Brasileira. Um artigo publicado pela McKinsey Company, líder mundial no mercado de consultoria empresarial afirma que, até 2025, o número de vendas de automóveis passará dos 125 milhões o que pode intensificar os congestionamentos em grandes países sem planejamento -como o Brasil que, de acordo com o IBGE, em 2014 obteve um trânsito recorde em São Paulo, com 344 quilômetros de lentidão- e causar uma despesa acima de 4% do PIB do país.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para a solução do revés apresentado. Destarte, o Governo Federal deve, por meio do Ministério das Cidades, criar o PNPU (Programa nacional de planejamento urbano) que visará construir, até 2025, metrôs e linhas rodoviárias nos grandes centros urbanos afim de reduzir o número de carros nas  ruas e evitar que a crise na mobilidade urbana Brasileira continue a crescer, para que assim aos poucos a cultura do automóvel seja extinta de nossa sociedade e a mesma possa caminhar rumo ao progresso.