A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/07/2020
Para o filósofo Jean Jacques Rousseau, democracia seria um sistema político e social em que houvesse uma equidade de direitos, assegurada pelo Estado, entre os cidadãos. Nesse sentido, o pensador coloca que uma sociedade depende de fatores que não estão ligados diretamente à segurança para adquirir a plena liberdade. Dessa forma, ao avaliar o contexto contenporâneo brasileiro, observa-se que o Estado, ao negligenciar questões sociais ligadas à mobilidade urbana, priva o povo também dos direitos básicos. Vê-se, então, que essa questão é um problema não apenas pelos acidentes automobilísticos provocados, mas também pelas implicações na saúde pública nacional.
Antes de tudo, é importante destacar que o capitalismo impôs um estado de muitos fluxos humanos à sociedade. A esse respeito, percebe-se, ao analisar a globalização, que a saída diária de pessoas ao trabalho ainda se apresenta como uma prática comum nos grandes centros urbanos. Essa situação, no entanto, torna-se prejudicial na medida em que o volume de pessoas nas grandes cidades aumenta sem que haja uma melhoria qualitativa nas rodovias brasileiras. Soma-se a isso que, de acordo com o G1, cerca de cento e vinte pessoas morrem diariamente por conta de acidentes de trânsito. Nota-se, portanto, que a ausência de uma postura estatal devida no que tange à resolução da problemática agrava o risco de acidentes no país.
Outrossim, é imperativo salientar a importância social do cuidado com a mobilidade urbana brasileira. Acerca dessa premissa, é válido destacar o conceito de superestrutura, desenvolvido por Karl Marx. De acordo com o sociólogo, no momento do estudo de uma cultura, não se deve avaliar apenas questões relativas ao modelo de produção em si, mas também às relações da sociedade como um todo. Analogamente, nota-se que a questão do cuidado com a saúde pública não se restringe apenas às questões relativas aos hospitais. Nesse âmbito, fica nítido que atrasos frequentes de ambulância, assim como de trabalhadores da saúde, às clínicas são problemas provocados, também, por questões relativas à mobilidade urbana e que atingem diversos setores da sociedade.
Em suma, percebe-se que a resolução do problema da mobilidade urbana é urgente, pois isso afeta negativamente o corpo social de diversas formas. Assim, cabe ao Ministério da Infraestrutura, em parceria com o Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, promover um programa de ampliação das redes rodoviárias brasileiras, bem como incentivar à população o uso de transporte público. Tal incentivo ocorrerá com a utilização de propagandas feitas com artistas e geógrafos da área. Com tal medida, espera-se uma redução no número de acidentes de trânsito no país, bem como uma melhora na área da saúde pública e, dessa forma, atingir à democracia proposta por Rousseau.