A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/07/2020

‘‘Governar é construir estradas’’. A célebre frase do ex-presidente do Brasil Washington Luís demonstra a direção para onde se caminhava os modais de transporte do País no início do século XX. Contudo, embora a construção de rodovias tenha viabilizado o transporte urbano e comercial daquele tempo, hodiernamente a precarização desse sistema se deve a essa unificação de via. Nesse sentido, é indubitável a necessidade de transformar o atual mecanismo de transporte que promove o inchaço das redes rodoviárias e a poluição atmosférica.

Em primeira análise, a superlotação das rodovias gera inúmeras consequências de cunho social e econômico na sociedade. De acordo com o modelo produtivo fordista, o desenvolvimento de carros na esteira, incentivaria a economia e a aquisição popular de veículos. No entanto, a indução do consumo dificulta o desenvolvimento de outros modais de transporte o que, invariavelmente, torna os serviços de entrega e transporte extremamente caros no País,pois, a mentalidade imposta de aquisição de um carro particular que vigora dentro da sociedade torna o trânsito precário e lento.

Ademais, a poluição apresentada pela excessiva utilização de hidrocarbonetos nos combustíveis de carros é outro fator que agrava a importância da alteração no mecanismos de transporte do país. De acordo com o SEEG(sistema de estimativa de emissão de gases estufa), o Brasil emitiu em 2018 ,aproximadamente, 2 milhões de kg de gás carbônico para a atmosfera. Desse modo, para além de ineficaz para o transporte de bens e pessoas, o sistema rodoviário implantado no país corrobora para o agravamento de mudanças climáticas que afetam a fauna e a flora. Portanto, a substituição por modais ferroviários, embora seja demorada a sua implementação, sua eficiência torna-se superior em vista do baixo custo energético para seu funcionamento e o mínimo teor poluente emitido, já que o Brasil possuí como principal matriz as hidrelétricas.

Assim, a transformação no setor de transportes deve estar acima de qualquer visibilidade política, de modo a pensar no progresso do país e no direito à circulação individual irrestrito. Logo, o Poder Legislativo deve estabelecer a implementação de novos modais de transporte, por meio de um projeto de lei, que delimite o prazo de 10 anos para a completa integração do território nacional com a construção de linhas ferríferas a fim de garantir uma precificação digna para quem deseja se locomover e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente. Outrossim, é essencial que a mídia incentive o consumo de bicicletas e transportes coletivos, por intermédio de propagandas, com intuito de diminuir o trânsito presente nas rodovias e, gradativamente, abandonar a herança automotora defendida por Washington Luís.