A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 11/12/2020

Na década de 1950, o então presidente Juscelino Kubitschek introduziu a indústria automobilística no Brasil, como parte de seu plano desenvolvimentista de governo. Em virtude disso, o setor de transportes do país baseou-se, majoritariamente, em um modelo rodoviário e, consequentemente, hoje enfrenta uma crise de mobilidade urbana. Essa problemática causa impactos socioeconômicos e ambientais, em função do excesso de carros e da precariedade das alternativas de deslocamento.

A princípio, o desenvolvimento da indústria de automóveis favoreceu a pavimentação de uma extensa malha rodoviária e o transporte predominantemente em ônibus ou automóveis. Nesse contexto, dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), de 2017, evidenciam que carros transportam apenas 30% das pessoas na cidade de São Paulo, mas ocupam 88% do espaço das vias, ao passo que ônibus municipais transportam 40% dos cidadãos, mas só ocupam 3% das vias. Observa-se, assim, que o transporte público é uma opção mais eficiente e com menor sobrecarga ao trânsito, contudo, ainda dispões de poucas linhas e veículos precários, além de preços altos que não condizem com o serviço oferecido, o que leva parte dos cidadãos a utilizarem o carro. Portanto, é inviável manter o sistema de transporte limitado a esses dois modais, por isso se fazem necessárias melhorias no transporte público, além de diversificar as opções de mobilidade como metrô e bicletas.

Paralelo a isso, a ausência de meio de transporte alternativos aos carros, no Brasil, também  prejudica a saúde da população como um todo e o meio ambiente. De acordo com o IEMA, em São Paulo, os automóveis respondem por 72,6% das emissões de gases que agravam o efeito estufa e, por conseguinte, contribuem para a elevação da temperatura do planeta. Ademais, essa poluição causa uma série de males ao sistema respiratório, devido ao processo inflamatório crônico causado pela exposição aos agentes químicos presentes no ar. Ou seja, equilibrar as opções de deslocamento diversificando e optando por modais menos poluentes é uma necessidade para preservar o planeta e a saúde dos seus habitantes.

Urge, portanto, direcionar esforços para recuperar e modernizar a mobilidade urbana no Brasil. O Ministério dos Transportes deve investir em meios alternativos de locomoção, tais como ônibus elétricos e metrô que ofereçam amplo acesso à cidade com tarifas justas e integradas ao atual sistema de transporte, bem como o aumento da frota atual e a ampliação das linhas. Deve, igualmente, expandir a quantidade e a extensão de ciclovias e oferecer estações públicas de aluguel de bicicletas a custos acessíveis, de modo a incentivar o seu uso e atuar os impactos socioambientais.