A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/08/2020

A obra naturalista de 1890 “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, apresenta uma crítica às condições de vida das classes populares durante aquele período. Fora da ficção, a realidade hodierna é bastante semelhante, assim, é importante destacar a atual crise na mobilidade urbana brasileira. Tal problemática possui diversas causas e consequências, as quais devem ser mitigadas.

A priori, é indubitável que o transporte público no país é caracterizado pela má qualidade, ou seja, é moroso e inseguro. Nesse sentido, o conceito de globalização perversa de Milton Santos tece uma crítica à globalização mundial, na qual, paradoxalmente, prioriza o fluxo de capital, mas limita o fluxo de pessoas, principalmente oriundas de locais pobres. Dessa forma, a classe alta possui pelo menos um automóvel em casa, já que o transporte público - utilizado pelas classes mais baixas que não possuem capital para adquirir um carro, por exemplo - é sucateado, o que acarreta em trânsito intenso nas cidades.

Consequentemente, diversos são os graves efeitos gerados por conta desse trânsito intenso, dentre eles se destacam os ambientais. O exacerbado fluxo de carros resulta na grande emissão de CO2 e outros gases poluentes que agravam a problemática do aquecimento global e efeito estufa, por exemplo. Afinal, segundo dados, o automóvel é responsável por quase toda a emissão de CO (97%, na cidade de São Paulo) de uma grande cidade.

Portanto, diante dos fatos supracitados, é fundamental que o governo invista no transporte público a fim de melhorar sua qualidade e assim, diminuir a compra e uso de automóveis ”particulares”. Outrossim, é imprescindível que esse mesmo agente, por meio de campanhas - em escolas, redes sociais e TV - incentive a utilização de meios de transporte sustentáveis - como bicicletas - a fim de diminuir a emissão de gases poluentes que provocam problemas ambientais. Desse modo, a crise da mobilidade urbana brasileira seria mitigada.