A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/08/2020

O Governo de Juscelino Kubitschek foi marcado pelo forte investimento na indústria automobilística, o que gerou um grande avanço tecnológico para o Brasil em relação a outros países. Entretanto, essa valorização também trouxe consequências maléficas para as cidades brasileiras, que hoje enfrentam uma crise na mobilidade urbana, seja pelo crescente número de carros nas ruas, seja pela dificuldade que os deficientes físicos encontram para se locomoverem pelas cidades.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o aumento da frota de veículos no Brasil é fruto da omissão estatal em garantir a qualidade do transporte coletivo. Nessa perspectiva, é preciso compreender que diversos cidadãos não utilizam os ônibus devido a péssima qualidade de infraestrutura que esse meio de locomoção oferece, o que fica claro pelo dado divulgado pelo site agencia do Brasil, que diz que 70% dos entrevistados reclamaram dos ônibus superlotados. Nesse sentido, essa dado é consequência de um Estado que não se preocupa em garantir o direito  de ir e vir que a Constituição Brasileira assegura. Fica nítido, portanto, que apesar de o Brasil ser dito ‘‘país de todos’’, definitivamente não é, uma vez que parcela da população que não tem dinheiro para comprar carros sofre para se locomover, já que os agentes públicos não garantem a qualidade no transporte coletivo.

Além disso, a falta de democratização da mobilidade urbana brasileira é outro problema que o país enfrenta. Dessa maneira, o sociólogo Caio Prado Júnior diz que é preciso lançar olhos ao Brasil da República Velha para se entender o Brasil Contemporâneo. Em um passado marcado pela falta da construção de ruas e calçadas acessíveis para os deficientes físicos, a contemporaneidade é marcada por essa falta de acessibilidade. Diante disso, os deficientes tem seus direitos violados por um Estado omisso, que mais uma vez peca em garantir a qualidade da mobilidade urbana, o que atrapalha o cidadão a conseguir realizar atividades básicas, como ir a um supermercado e ir ao banco.

São necessárias, portanto, medidas e ações para mudar essa realidade problemática que as cidades enfrentam. O Ministério da Justiça e Segurança Pública deve melhorar a qualidade dos ônibus, por intermédio do aumento no número desses transportes nas ruas brasileiras, com o intuito de diminuir o superlotamento desses veículos, e assim, garantir a qualidade de locomoção, o que fará com que mais cidadãos abandonem seus carros individuais e optem por utilizar o transporte público. Ademais, esse mesmo agente  público deve construir rampas que possibilitem o acesso do deficiente em qualquer local, com o objetivo de democratizar a mobilidade urbana e, desse modo, garantir o direito de ir e vir para toda a sociedade.