A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 29/08/2020
Thomas More, filósofo e estadista inglês, em sua obra intitulada “Utopia” relata uma sociedade sublime, a qual se molda de maneira lógica e harmônica. No entanto, observa-se uma realidade hodierna oposta àquilo que prega o autor, uma vez que a crise na mobilidade urbana brasileira apresenta entraves, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Tal dicotomia é fruto tanto de problemas políticos, quanto tecnológicos . Diante disso, torna-se essencial a discussão desses aspectos, a fim de uma melhor estruturação social.
Inicialmente, faz-se relevante pontuar que o problema advém de uma atuação ineficiente dos setores governamentais, pois, segundo o preâmbulo da Constituição Brasileira promulgada em 1988, é dever do estado democrático assegurar direitos de ordem social e individual, vitais ao bem-estar, entretanto, isso não ocorre. Devido a negligência das autoridades no planejamento e construção de cidades, houvera um crescimento horizontal desestruturado, que culmina em regiões centrais desenvolvidas economicamente e pontos periféricos subdesenvolvidos, aumentando o tráfego diário em direção ao trabalho (migração pendular) e causando problemas de tráfego nas principais ruas e vielas urbanas. Desse modo urge que tal postura estatal sofra reformulações.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de um melhor uso da tecnologia disponível como fomentadora da adversidade. Segundo Arthur C. Clark, qualquer tecnologia suficientemente avançada é comparável à mágica, sendo então, um desperdício que em meio a uma revolução digital, tais ferramentas ainda não sejam plenamente utilizadas para melhorias na mobilidade urbana. Tudo isso retarda o empecilho, já que a má utilização da tecnologia colabora nessa perpetuação deletéria.
Portanto, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se, que o Presidente da república, como figura política mor, apresente ao congresso um plano de descentralização industrial e um maior investimento na infraestrutura periférica, fornecendo abates de imposto a empresas que se situem e criem projetos em tais lugares, diminuindo assim a demanda nos grandes centros urbanos, além de ajudar a fornecer uma melhor condição de vida e maiores oportunidades as pessoas de menor poder aquisitivo . Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo o impacto infesto da crise de mobilidade urbana, e a coletividade dará um passo em direção à Utopia de More.