A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 31/08/2020
“Toda pessoa possui o direito de ir e vir”. Esse é um dos trechos presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos, o qual refere-se à possibilidade dos indivíduos se locomoverem com plenitude na sociedade. Desse espectro, porém, a realidade brasileira se destoa, já que, em decorrência do grande contingente de carros nas ruas, o qual ainda tende ao crescimento, há frequência de congestionamentos, sendo eles responsáveis por gerar o estresse e outros vários prejuízos à saúde.
No que concerne à mobilidade urbana no Brasil, é possível afirmar que os “grandes engarrafamentos” têm sido altamente maléficos à saúde dos indivíduos biopsicossociais, pois as horas no trânsito geram impaciência, irritação e até mesmo tristeza. Sobre isso, a urbanista nacional Erminia Maricato diz: “A dificuldade de mobilidade e a ausência de espaços de lazer parecem estar levando seus cidadãos a um estado de melancolia coletiva”. Como exemplo disso, pesquisas realizadas em Campinas, publicadas no site “Correio”, comprovam o quão ruim o colapso de carros nas avenidas tem sido para o bem estar da população, enaltecendo a consequência dessa “crise no tráfego urbano”.
Pontua-se, ainda, que essa situação pode ser agravada, já que é estimado o crescimento no número de automóveis em circulação, pois, por não haver uma qualidade no transporte público brasileiro, as pessoas escolhem andar em seus próprios veículos. Nesse contexto, o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), em um levantamento de dados feito em São Paulo, entre os anos de 2014 e 2015, observou que os indivíduos, os quais reclamam dos atrasos de ônibus e da superlotação nos metrôs, continuarão preferindo “sair por conta própria”. Portanto, pode-se dizer que há uma tendência para a perpetuação dos “engarrafamentos”, já muito recorrentes, nas avenidas do país.
Por isso, é necessária a reformulação nos fundos destinados ao transporte público brasileiro. À vista disso, urge que os governos estaduais das localidades mais caóticas, em parceria com empresas de transporte, realizem um plano de aumento das rotas desses serviços. Também é mister a confecção de campanhas em outdoors, a fim de educar a população sobre os efeitos negativos, como na saúde, de aderir ao “veículo individual”. Somente assim o “direito de ir e vir” será atendido com devida plenitude.