A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 01/09/2020
Falta de investimento em transportes coletivos. Má organização das cidades. Macrocefalia urbana. Em uma era de grandes inovações tecnológicas o retrocesso em áreas sociais ainda é grande. Se este problema é evidente, confirma-se o caos na rede urbana e a urgente reflexão sobre este, como teorizou Paulo Freire em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, mostrando o revés na sociedade atual. Assim, à luz da razão, discute-se, portanto, A Crescente Crise na Mobilidade Urbana Brasileira.
Primeiramente, é importante discutir os extremos contemporâneos. De um lado a tecnologia surpreende pelas inovações. De outro, o comportamento humano está estagnado em uma cultura de valores distorcidos, comprovando a teoria de Ortega y Gasset, sobre quando mais avançada a sociedade, maiores os problemas. Observa-se isso em relação a mobilidade urbana no Brasil. Segundo os dados da Fundação Getúlio Vargas em 2016, o número de automóveis cresceu 400% em 10 anos. As causas são diversas: a rápida urbanização brasileira, distanciando muitas pessoas do seu local de trabalho e consequentemente fazendo-as optarem por terem seu próprio veículo; poucas ciclovias e falta de incentivo ao transporte sustentável; e, principalmente, baixo investimento em transportes públicos, em que os preços são altos, falta segurança e ocorre a superlotação.
Consequentemente, o indivíduo como produto das próprias circunstâncias sofre os reflexos da crescente crise na mobilidade urbana. A macrocefalia nas cidades, a poluição sonora, o estresse e a ansiedade devido aos engarrafamentos e, a poluição ambiental, devido à emissão de Dióxido de Carbono (CO2) na atmosfera, um dos principais gases de agravam o efeito estufa. Ademais, o aumento dos números de acidente é uma consequência. Como afirma o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, os acidentes no transito está entre as 3 maiores causas de morte no mundo.
Fica evidente, portanto, que a crise na mobilidade urbana configura-se como um problema na sociedade atual. O poder público e o privado devem construir ciclovias e incentivar a compra e o uso de transportes sustentáveis, na tentativa de amenizar a poluição ambiental e os casos de acidente, devido a macrocefalia urbana. Além disso, é imprescindível o investimento em transportes coletivos, feito pelo Governo, diminuindo os preços, garantindo a segurança por meio de fiscalização e disponibilizando mais horários, assim, mais pessoas irão aderir aos ônibus e diminuirá o número de veículos. Afinal, a construção da sociedade não deveria ser a razão primordial de todo cidadão? Dessa maneira, mazelas na rede urbana e no meio ambiental serão atenuados.