A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 03/09/2020

A Política Rodoviarista marcou o governo do presidente Juscelino Kubitscheck durante seu projeto de interligação do Brasil, um país continental. Durante essa gestão, ocorreu o direcionamento para o uso de estradas e foram atraídos investimentos da indústria automotiva. No entanto, na atualidade, problemas de mobilidade fazem parte do cotidiano nas grandes e médias cidades brasileiras. Desse modo, há importantes fatores a serem analisados pela sociedade, como a falta de planejamento urbano e a situação do transporte coletivo.

Em primeiro plano, a ineficácia do estado em ordenar o deslocamento diário dos cidadãos não é compatível com a urbanização. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, Anomia é a ausência ou insuficiência de normatização das relações sociais pela falta de instituições que as regulem. Nesse viés, o descaso das prefeituras em planejar as vias de transito em longo prazo é anômico, uma vez que os cidadãos experimentam o caos dos engarrafamentos por falta de regulação da figura estatal responsável. Consequentemente, a mobilidade cotidiana nas zonas urbanas se dá com baixa eficiência, o que toma tempo livre da população e prejudica o funcionamento de empresas.

Além disso, o interesse mercadológico no transporte individual é influente na decisão pessoal pelo modal de transporte. Segundo os estudiosos da Escola de Frankfurt, as estruturas de comunicação em massa, como rádio e televisão, são majoritariamente vendidas ao interesse capitalista de empresas. À luz desse pensamento, a notória propagação nas mídias de um ideal relacionado ao “carro próprio” como objetivo de vida é prejudicial para as opções mais eficientes de transporte. Dessa maneira, grande parte da população não faz parte da massa que cobra por melhores condições para o transporte coletivo, como metrô é ônibus.

Portanto, são necessárias medidas para minimizar o problema da mobilidade urbana no Brasil da atualidade. Para isso, o Estado deve assegurar instrução para aqueles que planejam o trânsito das cidades, por meio de comitês de aconselhamento para prefeituras na parte de transporte, contando com a presença de consultores que garantam a efetivação de planos duradouros valorizando o transporte mais eficiente para cada local. Logo, em longo prazo a população contaria com melhores condições de mobilidade. Ademais, a mídia, estrutura que informa grande parte da população, deve incluir propagandas governamentais que incentivam o transporte alternativo, como a bicicleta, muito utilizada em cidades europeias. Com isso, mais pessoas deixariam de participar das estatísticas de transporte lento e ineficiente.