A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/09/2020
O governo Juscelino Kubitschek foi o primórdio da cultura automobilística no país, visto que com o incentivo da instalação de indústrias estrangeiras do setor automotivo, era preciso estimular a população a querer consumir esse bem. Entretanto, esse entusiasmo não foi acompanhado por um efetivo plano de transporte, assim, hodiernamente, os grandes centros urbanos convivem com muitos meios de locomoção que não são integrados a realidade da malha rodoviária local. Além disso, o individualismo entre as relações junto a interesses político afeta, ainda mais, o bem-estar dos citadinos.
Dessa forma, os comportamentos egoístas associados a lógica capitalista geram as dificuldades de incorporar os veículos as cidades. Isso ocorre porque as pessoas tendem a querer ter bens próprios ao invés de utilizar do público. Deste modo, os indivíduos preferem ter um carro para manter um status social do que reavaliar a ideia analisando os impactos que serão gerados, como engarrafamentos e estresse no trânsito. Sob essa perspectiva, a obra Dias Felizes, do dramaturgo Samuel Beckett, ilustra essa situação: a personagem Winnie mesmo enterrada na terra durante toda a peça, não tenta se desenterrar. No contexto real, as pessoas sabem que enfrentam problemas com excesso de automóveis, mas não buscam resolver.
Ademais, é perceptível que práticas de engajamento político alicerçam a falta de planos efetivos de mobilidade urbana. Tal fato é baseado na ideia de que o poder executivo precisa realizar obras visíveis no cotidiano do público votante para mostrar que o representante tenta resolver os problemas locais, e com isso impulsionar sua reeleição. Porém, esse excesso de obras exteriores apenas soluciona, emergencialmente, alguns problemas gerados pelos veículos, não agem impedindo que esses deixem de existir. Consequentemente, é reafirmada a ideia do filósofo Maquiavel:de que os fins justificam os meios, como o governante busca a vitória na próxima eleição, ele utiliza de seu objetivo pessoal para não atender de fato a população.
Diante o exposto, urge a necessidade de modificar essa realidade individualista quando se trata de locomoção nos grandes centros. Na questão do excesso de veículos nas ruas, os governos estudais e municipais devem encorajar os cidadãos a utilizar o sistema público de transporte por meios de incentivos fiscais, reduzindo os impostos, por um tempo, de quem trocar os meios privados de deslocamento para os comuns. Outrossim, o poder legislativo deve criar um plano nacional de fiscalização de obras rodoviárias por meio de um decreto com a finalidade de investigar a real necessidade das obras realizadas nos estados e municípios e se não existem soluções mais eficazes para o problema a ser resolvido. Com essas práticas os problemas, do período de JK, serão resolvidos.