A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/09/2020
O governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, além da construção de Brasília, ficou marcado também pelo início da montagem de automóveis no Brasil e o amplo incentivo ao uso de rodovias. No entanto, após anos de abertura econômica e o impulso da Globalização, o país, hoje, enfrenta uma séria e crescente crise de mobilidade urbana, causada pelo crescimento desordenado das metrópoles e o fetichismo da pós-modernidade.
Nesse contexto, a Geografia estabelece o termo “macrocefalia urbana” para designar o estágio no qual uma cidade, sem planejamento, cresce de forma acelerada e em descompasso às melhorias de infraestrutura. A partir disso, uma das áreas mais afetadas é a de locomoção, uma vez que o meio urbano, por não comportar devidamente seus habitantes, por vezes possui fluxo de veículos ineficiente e lotação de transportes públicos, o que ocasiona longos congestionamentos e desconforto nos coletivos. Dessa forma, o crescimento desordenado das metrópoles afeta diretamente a dinâmica urbana, ao reduzir a eficiência dos deslocamentos diários.
Ademais, a década de 1920 nos Estados Unidos, por incentivar um alto consumo que persiste até hoje, instaurou a lógica moderna de que a essência estava relacionada à aparência, isto é, o indivíduo estava reduzido ao que possuía. Nessa perspectiva, o consumismo torna-se fator de identidade e diferenciação, materializado, principalmente, na figura do automóvel que, por sua vez, em quantidade excessiva nas grandes cidades, é o principal cofator do trânsito caótico. Dessa maneira, o fetichismo da mercadoria, por atribuir características superiores ao inanimado, impacta as diversas esferas sociais, inclusive a locomoção urbana.
Portanto, a crise de mobilidade decorre, sobretudo, da falta de planejamento urbano e do consumismo moderno. Para sua resolução, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional o incentivo a projetos de remodelação urbana em pontos críticos do país, por meio de editais que ressaltem a importância da preservação do patrimônio histórico-cultural da área remodelada, a fim de assegurar integridade dos elementos culturais na reconstrução do espaço. Além disso, compete à Escola tratar sobre os efeitos do consumismo no âmbito social com seus alunos, com o fito de evitar que o legado desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek se transforme em prejuízos sociais.