A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 21/09/2020

O Fordismo - meio de produção introduzido no começo do século XX, que por meio de uma fabricação rápida, gerava produtos mais baratos - proporcionou uma maior acessibilidade à bens de consumo duráveis, como os automóveis. Hodiernamente, entretanto, com a ascensão de novas tecnologias, a acessibilidade é cada vez maior e contribui para uma crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema alicerçado na falta de investimentos em meios de transporte alternativos e nas falhas do planejamento urbano.

Em primeira análise, a escassez de investimentos em estruturas que priorizem os meios de transporte alternativos, como é o caso das ciclovias, é a responsável pela sociedade optar por veículos particulares em detrimento de meios de locomoção que amenizem o impasse. Em destaque ao “meio-termo” de Aristóteles, o qual acreditava em uma vida sem acessos, a falta dessas estruturas diverge a premissa do filósofo. Visto que, a carência de uma planejamento, que privilegie a transporte público, por exemplo, está diretamente ligada à grande demanda por carros particulares.

Além disso, o planejamento urbano mostra-se deficitário, sendo a afirmativa explicitada em longos congestionamentos de carros nas grandes e médias cidades. Em paralelo com a interiorização brasileira, ocorrida no século XVII, uma grande quantidade de pessoas, que projetavam uma melhora de vida na sociedade mineradora, fez-se formar as primeiras cidades interioranas no Brasil. Assim como naquela época, muitas pessoas migram para cidades com o maior potencial de oportunidades. Porém, mesmo que haja uma estrutura urbana, essa não possui a capacidade de suprir a nova demanda de indivíduos e o cenário caótico da mobilidade urbana se agrava proporcionalmente ao aumento populacional dessas cidades.

Torna-se claro, portanto, a relevância de medidas corretivas à crescente crise na mobilidade urbana. Para que isso ocorra, é necessário a intervenção do Estado, a partir de um planejamento urbano mais flexível e eficiente, contendo construções de rodovias, investimentos em ciclovias e melhoramento no transporte público. Isso, consequentemente, geraria um conforto, tanto para moradores residentes de determinada cidade, quanto para eventuais imigrantes, bem como uma maior qualidade de vida, proporcionada pelos meios de locomoção alternativos. Assim, haverá a resolução do problema e as mazelas do Fordismo não se alicerçará na sociedade atual.