A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 25/09/2020
Em meados da década de 40, Mário de Andrade lançava seu poema ‘‘Paisagem”, inspirado no cenário conturbado e movimentado das ruas de São Paulo, representado pelo grande fluxo de carros, carroças e pessoas. Atualmente, a mobilidade urbana no Brasil é um problema cada vez mais desafiador e crescente. Visto isso, tem-se como principais causas para essa polêmica: a falta de políticas públicas voltadas para o transporte público, e a carrocracia.
Diante desse cenário, sabe-se que a concentração de automóveis nos perímetros urbanos são características de muitas cidades brasileiras, o que acarreta em trânsito, poluição, além da formação de ilhas de calor. Problemática essa oriunda da falta de investimentos na melhoria dos ônibus e metrôs. Transportes esses muitas vezes de péssima qualidade e caros, o que faz com que muitas pessoas prefiram comprar seu próprio automóvel. Neste sentido, o escândalo de corrupção e desvio de dinheiro com destino à esse setor, ocorrido recentemente, demonstra essa deficiência na execução das políticas públicas brasileiras. Ademais, o país é dependente do petróleo e das rodovias, e sua população é pouco engajada em alternativas de transporte sustentável. Isso gera um quadro crítico na mobilidade urbana no Brasil.
Por conseguinte, a carrocracia - cidades construídas de forma a favorecer o fluxo de carros e não de pedestres - agrava ainda mais esse fenômeno. Segundo uma pesquisa de 2016 da FGV, a frota de automóveis aumentou 400% nos últimos 40 anos no país. Isso demonstra o desinteresse do governo em investir em outros modais, que poderiam desafogar as grandes cidades. O próprio plano de metas de Juscelino Kubitschek, que visava a construção de centenas de rodovias pelo Brasil, fez com que o escoamento de mercadorias feitas por caminhões cruzassem com o fluxo de quem vai ao trabalho, contribuindo com o trânsito. Entretanto, empresas como o itaú já tomaram iniciativas em prol de soluções: construíram estações de bicicletas - em cidades com ciclovias - num modelo de rodízio e compartilhamento, liberadas para uso a partir do desbloqueio no aplicativo, desestimulando os congestionamentos e a poluição das conurbações.
Sendo assim, cabe ao Governo Federal, em parceria com os Municípios, ampliar as linhas de metrô e ônibus, acompanhado pelo barateamento e melhoria dos mesmos, por meio de verbas e investimentos, para que a população possa trocar os automóveis pela rede pública. Ademais, é necessário que o governo invista em modais como ferrovias e ciclovias, com o objetivo de uma integração do transporte individual e do coletivo, em harmonia com as cidades, em prol do bem estar de todos, e de uma paisagem não tão conturbada como a citada por Mário de Andrade.