A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/09/2020
Em 1885, o alemão Karl Benz criou o primeiro meio de transporte com motor a gasolina, o automóvel. Tal invenção foi um avanço para o mundo. No entanto, hoje o carro é um dos principais causadores da crescente crise da mobilidade urbana brasileira. Com isso, o aumento no número dos meios de locomoção individuais transformou o trânsito das grandes cidades em um caos que gera, aos cidadãos, estresse, ansiedade e impossibilidade de exercer o direito de ir e vir com dignidade e eficiência. A saber que, a má qualidade e a insuficiência do transporte público, bem como a infraestrutura urbana e a jornada de trabalho extensa presentes no país, são os precursores de tal problemática.
A priori, deve-se saber que a mobilidade urbana é o conjunto de condições de deslocamento de cargas e de pessoas no perímetro urbano. Sendo assim, o problema do transporte coletivo no Brasil se assenta nas suas precárias condições. Tendo em vista a sua superlotação causada pela incompatibilidade entre o número de ônibus e de usuários. O que é evidenciado pela pesquisa feita pelo IBOPE, a qual demonstrou que a lotação nos ônibus em São Paulo foi de 36% em 2014, para 59% em 2015 e que 83% usaria tais meios se fossem mais qualificados. Ademais, a carrocracia, na qual as cidades brasileiras são construídas favorecendo os carros em detrimento dos pedestres ou ciclistas, leva os indivíduos a optarem por carros particulares supersaturando as vias de tráfego.
Outrossim, é importante explanar a questão da longa carga horária de trabalho comum no território nacional. Uma vez que a maioria das pessoas sai de casa por volta das seis horas e retorna próximo das dezoito horas. Logo, este período se torna o chamado horário de rush, o qual barra o transito e impede seu fluxo. Assim, trabalhadores não chegam em seus destinos no horário necessário e mercadorias se perdem presas no engarrafamento, o que acarreta prejuízos econômicos e sociais. Em suma, percebe-se que não investir em melhorias para o tráfego poupa as finanças governamentais, porém a perca monetária é maior. O que se confirma pelo discurso do filósofo Edmund Burke de que a economia é uma virtude distributiva e consiste não em poupar, mas em escolher.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para resolver esta problemática. Desse modo, os governos federal, estadual e municipal, com o uso de parte do PIB e das verbas, junto as empresas de transporte, devem se aliar a fim de reduzir o trânsito no hiper centro das cidades por meio da redução de vagas para automóveis e do aumento do preço de estacionamentos rotativos para diminuir a compra e o uso de carros. Assim como, aumentar as calçadas e a iluminação delas para incentivar os pedestres. Além de aumentar as linhas e a qualidade de metrôs e de ônibus, construir mais ciclovias e aumentar os serviços de compartilhamento de patinetes e bicicletas para uma locomoção eficaz.