A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/09/2020
Na última década do século XIX, Santos Drumont, reconhecido como “pai da aviação”, importou o que seria o primeiro carro a circular em solo nacional. Já na contemporaneidade, tais veículos tornaram-se consideravelmente populares a ponto de provocarem entraves na mobilidade, especialmente nos grandes centros urbanos. Nessa vertente, há empecílios que se destacam, tais como a baixa qualidade dos transportes públicos e o ínfimo incentivo ao uso dos meios de locomoção alternativos, e faz-se necessário analisá-los a fim de atenuar a crescente crise da mobilidade urbana brasileira.
Primordialmente, é importante destacar que a péssima qualidade dos transportes públicos corrobora com o excesso de veículos individuais e estes, por sua vez, “travam” o trânsito nas grandes cidades, visto que o contingente demográfico que utiliza tais automóveis diariamente é imenso. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBOPE em 2015, 83% dos entrevistados deixariam de usar seus carros se existissem transportes públicos que atendessem às suas expectativas. Nesse âmbito, caso houvesse a oferta de serviços públicos de locomoção coletiva com bons níveis de comodidade e rapidez, reduziriam-se não só o número de engarrafamentos , mas também os níveis de poluição atmosférica e sonora das grandes metrópoles.
Vale salientar também que o quase inexistente incentivo ao uso de meios de transporte alternativos favorece o agravamento da crise de mobilidade urbana. Embora alguns veículos, como as bicicletas e patinetes, possam se tornar úteis alternativas de locomoção - sem exorbitantes gastos por parte do Estado - pouca atenção é ofertada a tais projetos e, quando algum representante público volta-se a tal assunto, tal indivíduo sofre forte oposição e crítica popular (como o que ocorreu com o Ex-Prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad).
Considerando os fatos citados, é evidente, portanto, que há desafios a serem superados no quesito mobilidade urbana no Brasil. Sendo assim, concerne ao poder executivo, tanto na esfera federal como estadual, a ampliação de investimentos nos transportes públicos, por meio de projetos aprovados nas câmaras de deputados, a fim de tornar tais meios de locomoção mais adequados para o uso do cidadão. Além disso, cabe aos prefeitos e vereadores a promoção de parcerias com empresas que oferecem o serviço de aluguel de bicicletas ,como a Yellow, a fim de baratear tais serviços e incentivar o uso de tal veículo. Somente assim, a mobilidade nos grandes centros urbanos se tornará mais ágil e acompanhará a velocidade que as metrópoles impõem.