A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/09/2020

Nas grandes cidades brasileiras, os congestionamentos são frequentes, quilômetros de carros parados, que prejudicam a movimentação da população e das mercadorias nos grandes centros urbanos brasileiros. Em grande parte, esse problema é causado pela incompetência do Estado em garantir serviços de transporte público de qualidade e de aplicar políticas públicas de incentivo ao uso desses serviços, e de modais alternativos aos veículos de transporte individual.

Como consequência da incompetência Estatal, a população perde horas no translado da casa para o trabalho e vice-versa, perdendo de 30 minutos a 2 horas neste trajeto, esse tempo é descontado da hora de lazer e descanso do cidadão, restringindo o tempo disponível para ficar com a família, ficar sozinho, ou seja, cuidar da própria saúde. É valido ressaltar que tanto a saúde, quanto o lazer são direitos sociais resguardados pelo artigo 6 da Constituição Federal de 1988, portanto é dever do estado garantir condições para o usufruto desses direitos.

A principal causa da crise na mobilidade urbana brasileira é o aumento constante da frota de veículos de transporte individual que circulam nas grandes cidades. Esse aumento, é consequência de dois principais fatores, o estado precário do transporte público nas cidades brasileiras, com ônibus e metrôs lotados, além do péssimo estado de conservação dos veículos, estações e pontos de ônibus, e do estado execrável da infraestrutura das cidades brasileiras, com calçadas e vias em péssimas condições de conservação, somados à falta de locais próprios para o trafego de veículos alternativos, como bicicletas, patinetes entre outros. Ambos os fatores, são consequência da cultura brasileira de hipervalorização dos carros, encorajada pelo poder público, que fez com que as cidades brasileiras privilegiassem  os carros em detrimento do pedestre.

Em resumo, a incompetência do Estado em gerenciar o tráfego urbano, criou a atual crise de mobilidade nas grandes cidades, portanto é responsabilidade deste adotar medidas que garantam ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente, como estipulado no artigo 144 da Constituição Federal de 1988. É importante que haja uma colaboração entre as três esferas do governo, para que ocorra a ampliação da frota de veículos do transporte público, facilitando a circulação dentro do centro, entre o centro e as regiões periféricas, e entre as regiões periféricas, além de criar/ampliar as faixas exclusivas para ônibus, que diminuiria o tempo de percurso, além de ampliar os locais de circulação de pedestres e ampliar as vias exclusivas para bicicletas e outros transportes alternativos, a soma dessas medidas desestimularia o uso do transporte individual.