A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/09/2020
Conforme a Constituição Brasileira, todo cidadão tem direito de ir e vir. Entretanto, esse se torna um difícil ato, uma vez que, devido à falta de planejamento urbano a longo prazo, à herança rodoviarista do país e ao grande número de veículos, os cidadãos enfrentam, na maioria das vezes, trânsito congestionado, que compromete a fluidez da movimentação nas rodovias. Devido a tal fato, as pessoas gastam mais tempo nas estradas brasileiras, o que não deveria ocorrer.
Primeiramente, é importante citar que muitas cidades do Brasil foram planejadas no passado, mas os responsáveis por tal ato não imaginavam, na época, que várias cidades cresceriam além dos traços que eles delimitaram no papel. Ademais, na segunda metade do século XX houve deslocamento em massa das áreas rurais para as cidades devido ao processo de industrialização. Assim, o país passou a ter cidades mais populosas, fato que estimulou o crescimento exacerbado do perímetro urbano e o caos rodoviário, uma vez que o projeto de ruas e rodovias, antigo em grandes metrópoles, não acomoda de maneira profícua o elevado movimento que o trânsito desses locais passou a ter.
Aliado a isso, o Brasil possui forte herança rodoviarista, ou seja, é um país que prioriza o transporte rodoviário desde o governo do ex-presidente Washington Luís, que acreditava que governar está diretamente ligado a povoar e a construir estradas. Todavia, foi no governo de Juscelino Kubistchek que essa preferência pelas estradas de rodagem se tornou ainda mais intrínseca ao país, uma vez que a intensificação do investimento em tal modal de transporte foi, também, uma estratégia bem sucedida para atrair empresas do ramo automobilístico. Entretanto, quanto mais carros na rua, maiores engarrafamentos, que dificultam a mobilidade e a qualidade de vida das pessoas que moram em grandes centros urbanos e convivem com toda a poluição física e sonora causada pelos veículos. Em virtude da facilidade de acesso a automóveis devido à redução de impostos no setor automobilístico e à simplificação de pagamentos e financiamentos, hodiernamente há, em território canarinho, cerca de 1 carro para cada 4,4 habitantes de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Contudo, ao adquirir um carro, as pessoas deixam de usar o transporte público e o alternativo (como bicicletas) e passam a contribuir com o engarrafamento e com o aumento da poluição.
Portanto, medidas são necessárias para mudar esse cenário. Para tal, o Ministério da Infraestrutura deve ampliar o alcance de veículos de deslocamento sobre trilhos (metrôs e VLT’s) para o transporte público, aumentando a frota e as rotas, além de tornar nacional o sistema de intercalação de placas. Desse modo, haverá menos congestionamento e poluição e as pessoas serão incentivadas a usufruírem melhor do transporte público e alternativo, que acomoda mais pessoas em menos espaço.